O início do verão no Hemisfério Norte trouxe consigo uma sequência devastadora de incêndios florestais em países da Europa, impulsionados por temperaturas extremas, seca severa e ventos intensos. As chamas já deixaram mortos, feridos e milhares de desabrigados na Grécia, Turquia e Alemanha.
Creta em chamas: turistas evacuados às pressas
Na ilha de Creta, na Grécia, um incêndio florestal de grandes proporções atingiu a região leste, forçando a evacuação de cerca de 5 mil pessoas, a maioria turistas hospedados em hotéis nas vilas de Achlia, Ferma e Skinokapsala. O fogo começou no dia 2 de julho e se espalhou rapidamente por áreas montanhosas e vegetação seca, segundo a BBC.
Três frentes de fogo simultâneas mobilizaram bombeiros, voluntários e forças de segurança. A operação de retirada envolveu a evacuação de residências, hospedagens e comércios. Pelo menos 200 pessoas estão abrigadas em um ginásio esportivo em Ierapetra, informou Manolis Tzarakis, presidente da Associação de Hoteleiros de Creta.
“Os ventos fortes dificultam o combate ao fogo. O cenário é caótico”, relatou um bombeiro à imprensa local.
Turquia: duas mortes e sétimo dia de combate às chamas
Na Turquia, os incêndios florestais persistem há mais de uma semana e já causaram duas mortes. A vítima mais recente foi Ibrahim Demir, operador de retroescavadeira que atuava no combate ao fogo no distrito de Ödemiş, província de Izmir. Antes dele, um idoso de 81 anos, acamado, morreu quando sua casa foi atingida pelas chamas.
A cidade turística de Çeşme, às margens do mar Egeu, foi duramente afetada. Três bairros foram evacuados e rodovias precisaram ser interditadas, segundo informações da Reuters e da Associated Press (AP). Centenas de bombeiros, helicópteros e aviões-tanque estão mobilizados na tentativa de controlar o avanço do fogo.
Alemanha também sofre com o fogo
O leste da Alemanha enfrenta sua própria emergência: mais de 100 pessoas foram evacuadas após incêndios florestais atingirem áreas na fronteira entre Saxônia e Brandemburgo. Segundo a AP, dois bombeiros ficaram gravemente feridos enquanto combatiam o fogo na região de Gohrischheide.
As vilas de Heidehäuser, Neudorf e parte da vila de Lichtensee foram evacuadas, e quase 500 profissionais atuam na contenção das chamas, em uma operação que ainda não foi controlada.
Crise climática afeta os Bálcãs
Enquanto os incêndios ganham força, outros países da região sofrem os efeitos colaterais da seca e do calor extremo. Nos Bálcãs Ocidentais, os problemas se multiplicam: a agricultura e a geração de energia estão ameaçadas.
Na Albânia, as temperaturas chegaram a 40°C no centro do país. A ausência de chuvas desde o inverno levou os rios a níveis críticos. O governo albanês foi obrigado a investir em sistemas emergenciais de irrigação e importar energia. Segundo a empresa estatal, mais de US$ 70 milhões foram gastos em eletricidade no primeiro semestre, devido à baixa geração nas hidrelétricas do norte.
A nova face do verão europeu
Os eventos extremos que atingem o continente confirmam os alertas de especialistas sobre a intensificação das mudanças climáticas. O avanço precoce dos incêndios, a extensão das áreas afetadas e os prejuízos humanos e ambientais reforçam a necessidade de estratégias de prevenção e adaptação climática.
O cenário exige atenção global. Com as temperaturas médias em alta e a seca afetando até regiões montanhosas, o risco de incêndios florestais torna-se permanente durante o verão, comprometendo vidas, ecossistemas e economias locais.


