Dezenas de milhares de ativistas climáticos participam da Marcha pela Biodiversidade para celebrar o Dia da Terra em Londres, Reino Unido, em 22 de abril de 2023. Mark Kerrison / In Pictures via Getty Images
Dezenas de milhares de ativistas climáticos participam da Marcha pela Biodiversidade para celebrar o Dia da Terra em Londres, Reino Unido, em 22 de abril de 2023. Mark Kerrison / In Pictures via Getty Images

A maioria silenciosa pelo clima: como libertar os 89% que querem ação climática pode transformar o futuro

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Uma pesquisa global revelou que 89% da população mundial deseja ações mais fortes contra a crise climática, mas a maioria dessas pessoas acredita, erroneamente, que está sozinha nessa preocupação. Esse fenômeno, conhecido como “espiral de silêncio”, está impedindo avanços mais rápidos e eficazes na luta contra o aquecimento global.

Especialistas apontam que romper essa barreira de percepção pode ser o gatilho necessário para alcançar um ponto de inflexão social, pressionando governos a adotarem medidas climáticas mais rigorosas. Segundo Anthony Leiserowitz, professor da Escola de Meio Ambiente de Yale, comunicar que a maioria já apoia ações climáticas é uma das ferramentas mais poderosas para impulsionar mudanças reais.

A pesquisa, que ouviu 130 mil pessoas em 125 países, mostra um consenso impressionante: quase 9 em cada 10 pessoas acreditam que seus governos deveriam fazer mais para combater o aquecimento global. No entanto, o silêncio coletivo alimenta a inércia política.

O poder de revelar a verdade: todos querem ação climática

O The Guardian, em parceria com organizações como a Covering Climate Now (CCNow) e a Agence France-Presse, lançou o Projeto 89%, uma iniciativa jornalística global para destacar esse dado crucial e mobilizar a sociedade. A ideia é simples: se as pessoas souberem que não estão sozinhas em sua preocupação climática, estarão mais propensas a agir e cobrar mudanças.

“Acreditar que somos minoria nos paralisa. Mostrar que somos a maioria pode gerar uma transformação social”, explica o Dr. Niall McLoughlin, do Barômetro Climático do Reino Unido.

Democracia e clima: quando a vontade popular é ignorada

Nos países do G20 — responsáveis por mais de 75% das emissões de carbono — o apoio à ação climática é tão forte quanto em outras nações. Mesmo assim, muitas autoridades permanecem inertes. Para Kyle Pope, cofundador do CCNow, isso evidencia um déficit democrático: “Se a maioria quer ação e os líderes não respondem, algo está profundamente errado”.

Oportunidade histórica: da COP30 ao futuro do planeta

O Projeto 89% visa criar um movimento contínuo até a COP30, que será realizada em Belém, no Brasil. A proposta é fortalecer a voz da maioria silenciosa e garantir que os líderes mundiais entendam que a população global exige medidas ousadas e imediatas.

Dados da pesquisa indicam que até mesmo em países como China e EUA, grandes emissores de carbono, a população clama por mudanças. Na China, 97% querem mais ações governamentais; nos EUA, 74% compartilham da mesma opinião.

Cassie Flynn, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que conduziu a 
Votação Popular pelo Clima de 2024, reforça: “As pessoas já vivem a emergência climática diariamente. Os líderes precisam ouvir esse chamado”.

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