Reciclar é necessidade para a busca da qualidade de vida

Crianças reciclando

Reciclar é necessidade para a busca da qualidade de vida

A produção de lixo não para de crescer dentro das casas, comércios e industrias, seja dos materiais que são embalados os alimentos, das sobras de comidas, dos processos industriais, ou mesmo, de produtos que quebram e não funcionam mais. Necessidade, essa palavra define bem o caminho que a reciclagem vem percorrendo ao longo das décadas, as montanhas de lixo sem triagens já não existem tanto, principalmente pelas questões ambientais, mas também porque a reciclagem gera emprego e renda para milhares de famílias.

Na ponta do lápis a reciclagem é um processo de reaproveitamento de inúmeros materiais, todo o processo de beneficiamento vem melhorando, mas precisa ainda de mais tecnologia e matéria prima para deslanchar. Importante destacar que o principal objetivo é reintroduzi-los na cadeia produtiva, para que gerem valor e sejam reutilizados, reduzindo a produção de lixo, e aumentando a preservação dos recursos naturais. Reciclagem é sustentabilidade.

Os ideais da reciclagem são essenciais no dia a dia, mas ainda existe um grande caminho a ser percorrido, porque muita gente ainda não separa o lixo, dando mais trabalho aos catadores de rua, muitas vezes inutilizando alguns materiais que não podem ser molhados, por exemplo. É preciso a mudança de hábito, o incentivo dos governos e empresas, também faz diferença nesse processo de educação ambiental.

Crianças reciclando
Reciclagem em números

O Brasil é o maior reciclador de latas de alumínio do mundo. Porém, de acordo com dados da Associação de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, ABRELPE, num volume de 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos, 30% possui valor agregado e potencial para retomar a cadeia de produção como matéria prima, só que apenas 3% está sendo reciclado. Ainda existe muita coisa para ser reciclada no país, boa parte acaba sendo enterrada em grandes aterros sanitários.

A coleta seletiva que deveria ser incentivada pelo poder público é falha em muitos municípios, aqueles que tem podem considerar como luxo. O grande reciclador do Brasil é o catador de rua. Com seus carrinhos buscam em cada canto, qualquer tipo de material reciclável, tem acesso a todo tipo de entulho, por isso, os cuidados com o vidro e a forma de descarte de uma forma geral.

Apenas 1,3% do lixo plástico gerado no Brasil é reciclado, mesmo sendo o quarto produtor desse tipo de resíduo no mundo. Ficando atrás dos Estados Unidos, China e Índia. Das 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos produzidos por ano, 17% são de plástico. A notícia que é para se comemorar é que no ano de 2020, a reciclagem desse material aumentou 15%.

A questão do lixo eletrônico é ainda mais grave, de acordo com a BBC Future, de 45 milhões de toneladas de lixo eletrônico, apenas 20% é reciclado de forma correta. Muito material é enviado ilegalmente para aterros tóxicos em países subdesenvolvidos. O que é um desastre para a contaminação de água e da cadeia de abastecimento de alimentos.

Pensar no futuro

Quando as pessoas jogam lixo no chão, os materiais são arrastados pela chuva e se acumulam nos bueiros. A água não tem pra onde escoar e aumentam as chances de alagamentos e enchentes. As lixeiras são extremamente importantes nas cidades, uma forma de promover o descarte consciente. Em cada atitude de proteção ao meio ambiente, os cuidados com as próximas gerações se multiplicam.

História da reciclagem

Uma pesquisa feita pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), mostra que as civilizações antigas já dispunham de sistema de esgoto, além de pavimentação nas ruas. Os israelitas, por exemplo, possuíam regras explícitas de como descartar seus excrementos e os restos dos animais sacrificados, bem como os cadáveres e o lixo produzido no reino.

Na Idade Média, sabe-se que várias cidades italianas tinham normas para a destinação de objetos e carcaças de animais, assim como a eliminação de águas paradas e a proibição de lixo e fezes nas ruas. Neste período, surgiram os primeiros serviços de coleta de lixo

Porém, na segunda metade do século XIX, com a Revolução Industrial, houve um aumento significativo na produção de lixo, causando graves impactos sanitários. Foi necessário programar novas medidas para amenizar a complicada situação dos bairros operários e também dos bairros nobres. A Revolução Industrial trouxe consigo novos patamares de produção e, a partir desse momento histórico, a situação do descarte se tornou algo mais complexo e preocupante. Se antes o lixo era constituído apenas de material orgânico, agora ele tem características diversas: pode ser eletrônico, radioativo, industrial, químico, entre outros.

Para onde encaminhar?

Atenção para as cooperativas de catadores de resíduos que tem em todas as cidades, geralmente elas estão ligadas ao serviço de limpeza de cada prefeitura, que tem como dever incentivar e destinar os matérias através da coleta seletiva. Além disso, o mercado de compra e venda de resíduos está aquecido em muitos municípios. É possível vender materiais como: plástico, papeis, placas eletrônicas, alumínio, ferro, cobre, dentre outros. Todos os materiais são comprados e vendidos pelo peso.

Na dúvida para fazer algumas ações? Então, sigam essas dicas:

– Economize energia elétrica, luz acessa só do cômodo que você está e na tomada apenas aparelhos que estiverem sendo usados.
– Separe o lixo corretamente para que os resíduos sejam reciclados. Importante lavar latas e outros materiais para evitar mal cheiro.
– Ajude a limpar a praia que você tanto usa.
– Que tal plantar uma árvore?
– Fazer um mini jardim também ajuda na cobertura vegetal das cidades.
– Ajudar a limpar uma praça, ou mesmo, outro local público.

Ele coloriu as ruas de Guaçuí com flores

Ele coloriu as ruas de Guaçuí com flores

“O projeto que começou na Secretaria de Meio Ambiente, tomou parte da rotina dos moradores e encantou os visitantes”

Quem não gosta de andar pelas ruas e encontrar flores? Os tradicionais canteiros da parte central da cidade de Guaçuí, ao Sul do Espírito Santo, receberam as mais variadas espécies nos últimos anos. Foi rápido para moradores e visitantes se encantaram com tanta beleza. As primeiras ruas a receberam o paisagismo foram as centrais, logo os moradores se envolveram com o projeto feito por Roberto Martins, na época secretário Municipal de Meio Ambiente. O morador que é policial aposentado, inclusive atuou na Policial Ambiental, sempre priorizou a educação ambiental na cidade.

Cerca de seis mil mudas nativas da mata atlântica foram distribuídas a comunidade, sem contar as inúmeras que foram plantadas nas avenidas da cidade. “Demos uma atenção especial na questão do paisagismo, que traz grandes benefícios para o município por agradar a todos gerando na sociedade o sentimento de afeição a natureza, fomentando ações de suporte à preservação ecológica, incrementando o turismo, humanizando o ambiente e gerando a sensação de uma cidade acolhedora e organizada”, destaca Roberto.

Não foi só plantar, houve durante um bom tempo um planejamento, inclusive foi feita uma consultoria de um paisagista com experiência internacional. “Recebemos em Guaçuí no mês de janeiro de 2017, um paisagista brasileiro que reside na Itália e que já morou no Reino Unido. Ele que nos prestou relevantes serviços gratuitamente, esse suporte técnico foi fundamental para o sucesso de nosso trabalho. O paisagista Ziviani percorreu conosco várias ruas e avenidas nos orientando que tínhamos que observar primeiramente as características de cada espaço, como: largura do canteiro, se o local possui tráfego de veículos intenso, tipo de iluminação com posição dos postes e fiação, largura da calçada e rua, presença de sinalização de trânsito, ou seja, considerar todo o ambiente onde ocorrerá o plantio para então avaliarmos as características de cada espécie”, lembra Roberto.

Furto das plantas

Durante o projeto muitos problemas foram registrados, principalmente o furto de plantas e até mesmo vandalismo. Pessoas que destruíam o patrimônio público, ou mesmo, achava normal retirar plantas de canteiros da cidade de forma impune. Pequenas atitudes que demonstram a falta de preocupação de um ambiente que é de todos.

“Cheguei a registrar queixa crime algumas vezes, sendo inclusive questionado por um membro do conselho municipal de meio ambiente sobre essa minha atitude. Respondi que as plantas da minha casa eu posso doar a quem desejar, enquanto as adquiridas e mantidas com o dinheiro dos nossos impostos, estão ali com um objetivo específico e não pertence a mim ou a ela, pertence a todos”, afirma Roberto.

Sem falar que o paisagismo não consiste em apenas plantar, mas foi preciso fazer podas e até cortar algumas árvores. “Pessoas vão para redes sociais comentar aquilo que desconhecem. Cada supressão foi feita com uma rigorosa avaliação ocorrendo seu deferimento com critérios, havendo compensação ambiental e passando por um conselho. As pessoas precisam entender que a cidade cresce, desenvolve e resulta na necessidade em casos que necessite a supressão arbórea”, destaca Martins.

Colorir a cidade e embelezar as ruas não foi tarefa fácil, não pelo plantio, mas sim superar antigos conceitos da população. E se você ainda tem dúvida se é bom ou ruim, basta lembrar que a arborização absorve radiação solar, proporciona sombra, reduzem ou aumentam a velocidade dos ventos. A umidade do ar ficou melhor, amenizando a poluição e protegendo a natureza. Valorize!

 

Fotos: Roberto Martins

Banda fala sobre a importância de preservar no Caparaó

Banda Alldeia

Banda fala sobre a importância de preservar no Caparaó

“Alldeia toca fundo em problemas corriqueiros e faz as pessoas terem estímulos para contemplar a natureza”.

O reggae tem esse ritmo que já clama para proteção a mãe natureza, a Banda Alldeia formada há 12 anos, vem invocando ainda mais esses problemas ambientais, principalmente a reflexão para os municípios da região do Caparaó, na divisa dos estados do Espírito Santo e Minas Gerais. A Área é uma das mais preservadas da região Sudeste, aos pés do Parque Nacional do Caparaó, matas fazem corredores ecológicos e cachoeiras jorram cristalinas, mas nem tudo é poesia, ainda existem problemas graves de impactos ambientais nos rios, saneamento básico e desmatamento. É justamente para plantar a conscientização que a música vem entoando pelos quatro cantos, como em uma “aldeia” que um deve cuidar do outro e juntos, das próximas gerações.

O vocalista da banda Thiago Soares conta que a música precisa ir além do entretenimento. “Precisa divertir, provocar emoções e também conscientizar. Aprendi muito com o reggae. Muitas lições de respeito à natureza, aos povos que vivem da terra, a diversidade cultural e várias outras coisas. Em 2008, convidei alguns amigos para fazer parte da Alldeia e prontamente toparam. De lá pra cá, participamos de muitos eventos incluindo Feiras do Verde de algumas cidades e outros eventos, voltados para área ambiental”, destaca Thiago.

Foi só colocar um olhar mais atendo para encontrar a inspiração do som, até porque o grupo vive no município de Alegre, mas não deixa de vivenciar todo o Sul do Espírito Santo. A riqueza da região do Caparaó e biodiversidade precisava de proteção, mas também de divulgação turística, as letras orientam para essa apreciação levando em conta a educação ambiental. E são muitas as músicas que falam do tema, entre elas, “Meu Sangue é Verde” que levanta a discussão sobre a degradação.

“Essa é uma música que conscientizou tanto os membros da banda que no início não tinha tanta consciência ambiental assim, quanto os fãs que refletiram muito sobre a letra e acabaram mudando várias atitudes no dia a dia relacionado ao respeito à mãe natureza. Inclusive, essa música foi utilizada em vários projetos ambientais em diversas escolas”, afirma o vocalista.

Banda Alldeia

Realmente não dá pra negar que a música tem esse poder transformador, aquela semente que regada sempre dá ótimos frutos. “O Caparaó é uma grande escola na qual aprendi muitas coisas sobre bioconstrução, economia solidária, agroflorestal e consciência coletiva. Toda escola precisa de alunos e nossa missão é levar alunos para essa escola e conscientiza-los, mas acredito que ainda faltam “professores” para recebe-los. É necessário mais ações, porque quem vai de encontro com a natureza está receptivo a conexão com a terra e é a melhor hora de ensinar. O turista não pode ser enxergado como a pessoa que vai poluir e degradar, mas sim como um aluno e um futuro professor, que vai multiplicar todo amor pela natureza. Amor que recebeu quando acolhido pelos guardiões do Serra do Caparaó”, destaca Thiago.

A região do Caparaó pode ser referência quando se fala em educação ambiental, mas sempre tem gente que ainda frequenta o lugar e consegue sujar trilhas, ou mesmo, não dá valor ao patrimônio. Thiago fala sobre educação que funciona bem pelo exemplo, a banda segue nesse estilo para contar mais histórias da região.

“Acredito que os mais jovens aprendem muito sobre isso na escola, mas como diria o filósofo Rosseau, “o ser humano nasce bom, a sociedade o corrompe” eles acabam não praticando, porque quando saem com os pais ou outras pessoas, presenciam práticas muito diferentes do que as que aprenderam na escola. E tudo que se vê na prática é aprendido de forma muito mais natural do que o que se aprende na teoria. Os jovens são a solução para nossos desafios ambientais e os adultos, são o fator de risco que atuam de forma decisiva na formação deles”, finaliza Thiago.

Confira algumas músicas que fizeram sucesso:

Acompanhe mais sobre o trabalho da Banda Alldeia:


www.bandaalldeia.com.br
Instagram: @alldeia
e-mail: contato@bandaalldeia.com.br
Informações: 28 99985-5412