O Deserto da Namíbia fica próximo ao Oceano Atlântico. (Crédito da imagem: © Marco Bottigelli via Getty Images)
O Deserto da Namíbia fica próximo ao Oceano Atlântico. (Crédito da imagem: © Marco Bottigelli via Getty Images)

O paradoxo da seca: Por que existem desertos encostados no oceano?

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Quando pensamos em desertos, imaginamos lugares isolados no centro dos continentes, longe de qualquer fonte de água. No entanto, alguns dos lugares mais áridos do planeta, como o Atacama (Chile) e o Namibe (África), beijam o mar. Como é possível que regiões cercadas por trilhões de litros de água oceânica quase nunca vejam uma gota de chuva?

A resposta não é simples, mas baseia-se em um “triunfo” da física atmosférica sobre a geografia. Três fatores principais conspiram para criar esses desertos costeiros:

Muitos dos desertos quentes e secos do mundo (notavelmente, não desertos frios, como os do Ártico e da Antártida) situam-se entre 20 e 40 graus ao norte ou ao sul do equador. (Crédito da imagem: Sud.ansh via Shutterstock)

1. O “cinturão seco” do planeta

A maioria dos desertos está localizada em faixas específicas acima e abaixo do Equador (entre 20 e 40 graus de latitude). No Equador, o ar quente sobe, condensa e chove muito — criando as florestas tropicais. Esse ar, agora seco, viaja para as laterais e “afunda” nas regiões subtropicais. Esse ar descendente impede a formação de nuvens, criando um domo de alta pressão que afasta as tempestades.

2. O papel das correntes frias

Oceanos próximos a desertos costeiros costumam ter correntes de água muito gelada. O ar que sopra sobre essas correntes esfria rapidamente. O ar frio é denso e estável: ele não sobe para formar nuvens de chuva.

  • O efeito neblina: Em vez de chuva, esse ar frio retém uma umidade baixa que entra no continente na forma de nevoeiro denso (conhecido no Chile como camanchaca). É uma umidade que “molha” mas não cai.

3. A barreira das montanhas (sombra de chuva)

As grandes cordilheiras, como os Andes, funcionam como muros gigantescos. Quando os ventos úmidos vindos do interior do continente (como os que passam pela Amazônia) tentam cruzar as montanhas, eles são forçados a subir. O ar esfria, a água vira chuva e cai toda no lado leste das montanhas.

  • O ar “espremido”: Quando o vento finalmente ultrapassa o topo e desce em direção ao litoral, ele já perdeu toda a sua umidade. O Atacama fica nessa “sombra de chuva”, recebendo apenas o ar seco que restou após a passagem pelos Andes.

O Oceano Pacífico margeia um mirante no Parque Nacional Pan de Azúcar, no Deserto do Atacama, norte do Chile. (Crédito da imagem: VW Pics via Getty Images)

Vida que brota do nevoeiro

Esses desertos não são desprovidos de vida. Como a chuva é rara, a fauna e a flora se adaptaram para “beber o ar”. No deserto do Namibe, besouros inclinam seus corpos para capturar gotículas de neblina em suas carapaças, direcionando a água diretamente para a boca. Inspirados por esses animais, cientistas já desenvolvem redes de neblina para coletar água potável para comunidades humanas nessas regiões.

Até mesmo os desertos polares seguem lógica parecida: o ar é tão frio que não consegue reter vapor d’água, tornando a Antártida, tecnicamente, um dos maiores e mais secos desertos do mundo.

Fonte: Live Science Plus

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