No deserto seco e desolado do Atacama, no Chile, a vida parece parar. (Crédito da imagem: Shutterstock)
No deserto seco e desolado do Atacama, no Chile, a vida parece parar. (Crédito da imagem: Shutterstock)

O deserto do Atacama: Por que este é o lugar mais fascinante (e extremo) do Planeta Terra?

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Se existe um lugar na Terra que pode nos ensinar como seria viver em Marte, esse lugar é o Deserto do Atacama. Estendendo-se por cerca de 1.000 quilômetros entre a Cordilheira da Costa e os Andes, no Chile, este não é apenas um deserto; é um laboratório vivo, uma cápsula do tempo geológica e a janela mais limpa da humanidade para o universo.

Mas o que, afinal, torna o Atacama tão especial? A resposta reside em uma combinação de longevidade extrema, uma “ausência” de biologia perturbadora e uma riqueza mineral que já foi chamada de “ouro branco”.

O deserto mais antigo e hiperárido do mundo

Enquanto muitos desertos modernos têm apenas alguns milhares de anos, o Atacama é um ancião. Cientistas estimam que ele experimenta condições semiáridas há 150 milhões de anos. No entanto, seu núcleo interno — uma área de 130 mil km² — entrou em um estado de hiperaridez há cerca de 15 milhões de anos.

Essa secura absoluta é mantida por uma “trindade” climática:

  1. Sombra de chuva: Os picos nevados dos Andes barram toda a umidade vinda da Amazônia (leste).
  2. Corrente de Humboldt: A água gelada do Pacífico impede a evaporação e a formação de nuvens de chuva (oeste).
  3. Alta pressão atmosférica: O ar descendente constante dissipa qualquer tentativa de formação de tempestades.

Diferente do Saara, onde o calor é sufocante, o Atacama é surpreendentemente ameno, com temperaturas médias em torno de 18°C, o que o torna um deserto “frio” e seco.

Um laboratório para a vida extraterrestre

Para a NASA e astrobiólogos, o Atacama não é interessante pelo que vive lá, mas pelo que não vive. No núcleo hiperárido, a biologia é quase inexistente. É o lugar mais próximo que temos do solo de Marte.

Cientistas estudam os poucos microrganismos que sobrevivem ali em estado de dormência absoluta. Curiosamente, a mudança climática trouxe um paradoxo: em 2015 e 2017, chuvas torrenciais raras atingiram o deserto. Embora tenham criado um espetáculo visual de flores silvestres, para os micróbios locais foi uma catástrofe. Adaptados à secura extrema, muitos microrganismos literalmente explodiram ao absorver água em excesso. Esse fenômeno alerta que o aquecimento global pode tornar o Atacama mais úmido, alterando um ecossistema que se manteve estável por milhões de anos.

Maravilhas geológicas e o “Cinturão de Nitrato”

A paisagem do Atacama é moldada por depósitos de sal (playas) que podem atingir meio metro de espessura. Uma das características mais singulares é o Cinturão de Nitrato, uma faixa de 700 km de comprimento rica em minerais usados para fertilizantes e explosivos.

Originalmente, achava-se que esses nitratos vinham da maresia, mas estudos recentes sugerem que são resíduos de águas subterrâneas evaporadas de eras geológicas passadas. Além disso, o deserto é uma potência em lítio, cobre e iodo, com minas tão vastas que suas marcas são visíveis do espaço.

A janela da humanidade para o cosmos

Se o solo do Atacama parece Marte, o seu céu parece o infinito. Com até 330 noites límpidas por ano, o deserto abriga os telescópios mais potentes da Terra:

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