A central elétrica de United Downs, perto de Truro, na Cornualha, torna-se a primeira central elétrica do Reino Unido a gerar eletricidade a partir do calor da Terra. / GEL
A central elétrica de United Downs, perto de Truro, na Cornualha, torna-se a primeira central elétrica do Reino Unido a gerar eletricidade a partir do calor da Terra. / GEL

Energia das profundezas: Reino Unido inaugura usina geotérmica para abastecer 10 mil casas

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O Reino Unido deu um passo histórico rumo à independência energética nesta quinta-feira com a inauguração da sua primeira usina de energia geotérmica profunda. Localizado na Cornualha, o projeto da Geothermal Engineering Ltd (GEL) alcançou o poço terrestre mais profundo do país — cerca de 5 quilômetros abaixo da superfície — para capturar o calor natural das rochas graníticas e transformá-lo em eletricidade e aquecimento.

Diferente das usinas solares ou eólicas, a energia geotérmica é considerada o “santo graal” das renováveis por ser constante (24 horas por dia, 7 dias por semana), sem flutuações causadas pelo clima.

Como funciona o “calor da Terra”

A tecnologia aproveita as altas temperaturas do subsolo. A três milhas de profundidade, a água circula por fraturas no granito e é superaquecida a quase 200°C. Ao retornar à superfície, esse calor aciona turbinas que geram eletricidade para 10 mil residências.

  • Vantagem econômica: Além de limpa, essa energia não sofre com a volatilidade de preços do gás natural, oferecendo estabilidade à rede elétrica nacional.
  • Apoio de gigantes: A energia gerada já foi comprada pela Octopus Energy, que a distribuirá pela rede britânica.

Bônus estratégico: O lítio das águas

Além da eletricidade, a usina de United Downs revelou um trunfo para a mobilidade elétrica: a extração de lítio do fluido geotérmico. Este é o primeiro suprimento doméstico do mineral no Reino Unido, essencial para a fabricação de baterias de veículos elétricos (EVs).

  • A meta inicial é produzir lítio para 1.400 carros por ano, com planos de expansão para 18 mil toneladas anuais, ajudando o país a reduzir a dependência de importações chinesas ou sul-americanas.

A China processa mais de 60% do lítio mundial, sendo a maior parte destinada a baterias elétricas. / AFP via Getty Images

Desafios e o futuro do setor

Apesar do entusiasmo, o custo de perfuração é o maior obstáculo: o projeto consumiu cerca de £50 milhões (aproximadamente R$ 315 milhões). Especialistas do Serviço Geológico Britânico (BGS) afirmam que, para a tecnologia ganhar escala, é necessário um apoio governamental mais robusto para mitigar os altos riscos iniciais de investimento.

O interesse, no entanto, é global. Gigantes da tecnologia como Google, Meta e Microsoft já estão de olho na energia geotérmica profunda para alimentar seus centros de dados (Data Centers), que exigem um fluxo massivo e ininterrupto de energia para sustentar as infraestruturas de Inteligência Artificial.

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