Uma imagem capturada com lente olho de peixe de uma aurora boreal em todo o céu, em 16 de fevereiro de 2018, sobre o Churchill Northern Studies Centre, em Churchill, Manitoba. A imagem revela um breve e intenso brilho quando a borda inferior da cortina auroral ficou rosa brilhante, devido a elétrons energéticos excitando moléculas de nitrogênio em baixas altitudes.  (Crédito da imagem: VW Pics/Universal Images Group via Getty Images)
Uma imagem capturada com lente olho de peixe de uma aurora boreal em todo o céu, em 16 de fevereiro de 2018, sobre o Churchill Northern Studies Centre, em Churchill, Manitoba. A imagem revela um breve e intenso brilho quando a borda inferior da cortina auroral ficou rosa brilhante, devido a elétrons energéticos excitando moléculas de nitrogênio em baixas altitudes. (Crédito da imagem: VW Pics/Universal Images Group via Getty Images)

Auroras Boreais: Conheça o espetáculo das luzes do norte

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A aurora boreal é, sem dúvida, o maior show da Terra. Mas o que muitos veem como uma “dança de cortinas coloridas” no céu é, na verdade, o resultado de uma batalha magnética épica que protege nosso planeta. Chamada cientificamente de Aurora Borealis, esse fenômeno atemporal fascina a humanidade desde a pré-história.

Aurora boreal sobre a costa congelada da Baía de Disko, na Groenlândia Ocidental. O fiorde de gelo próximo é considerado Patrimônio Mundial da UNESCO.(Crédito da imagem: Martin Zwick/REDA&CO/Universal Images Group via Getty Images)

A ciência por trás do brilho: como ela se forma?

Tudo começa a 150 milhões de quilômetros de distância, no Sol. A nossa estrela está constantemente liberando partículas carregadas conhecidas como vento solar.

Quando essas partículas atingem a Terra, o nosso campo magnético as desvia para os polos. Ao entrarem na atmosfera, elas colidem com gases como oxigênio e nitrogênio, liberando energia em forma de luz. É como se a atmosfera fosse uma lâmpada neon gigante sendo ligada pelo Sol.

Quando partículas carregadas do vento solar ficam presas no campo magnético da Terra, elas acabam colidindo com a nossa atmosfera, criando as extraordinárias auroras boreais e austrais.(Crédito da imagem: NASA)

O código das cores

As cores que vemos dependem do gás atingido e da altitude:

  • Verde (Mais comum): Colisões com oxigênio em altitudes mais baixas (até 150 km).
  • Vermelho (Rara): Colisões com oxigênio em altitudes muito elevadas (acima de 200 km). Ocorre durante tempestades solares intensas.
  • Azul e Roxo: Partículas interagindo com o nitrogênio.

Onde e quando ver: caçando as luzes

Diferente do que diz o senso comum, não precisa estar frio para a aurora aparecer. O frio é apenas uma consequência das regiões onde ela ocorre: o Círculo Polar Ártico. O que você realmente precisa é de céu escuro e limpo.

Os melhores destinos:

  • Islândia: Toda a ilha oferece vislumbres, mesmo perto da capital.
  • Noruega (Tromsø): Considerada a capital da aurora boreal.
  • Finlândia (Lapônia): Famosa pelos iglus de vidro que permitem ver as luzes da cama.
  • Alasca e Norte do Canadá: Locais com baixíssima poluição luminosa.

A melhor época:

Entre setembro e março, quando as noites são mais longas no Hemisfério Norte. Durante o verão ártico, o Sol da Meia-Noite impede a visualização, embora as auroras continuem ocorrendo no vácuo do espaço.

História e mitologia

Antes da ciência explicar o fenômeno, cada cultura deu seu significado às luzes:

  • Vikings: Acreditavam que as luzes eram o brilho das armaduras das Valquírias cavalgando para o Valhalla.
  • Povo Maori: Via as auroras como tochas acesas por ancestrais que navegavam rumo ao sul.
  • Grécia Antiga: Galileu Galilei batizou o fenômeno em 1619 como Aurora Borealis — em homenagem à deusa romana do amanhecer (Aurora) e ao deus grego do vento norte (Boreas).

Auroras em outros mundos

A Terra não tem exclusividade. Qualquer planeta com campo magnético e atmosfera pode ter auroras.

  • Júpiter e Saturno: Possuem auroras permanentes e muito mais potentes que as nossas.
  • Vênus: Mesmo sem campo magnético, apresenta manchas luminosas difusas causadas pela interação direta do vento solar com sua atmosfera.
  • Anãs Marrons: Cientistas acreditam que esses corpos (maiores que planetas e menores que estrelas) possuam auroras um trilhão de vezes mais brilhantes que as da Terra, visíveis através de luz ultravioleta.

Esta imagem do Telescópio Espacial Hubble da NASA mostra auroras acima dos polos de Júpiter.(Crédito da imagem: NASA, ESA e J. Nichols (Universidade de Leicester))

Dicas para o viajante e fotógrafo

Se você planeja ver uma pessoalmente, aqui estão três ferramentas essenciais:

  1. Apps de Previsão: Use o My Aurora Forecast ou o site da Universidade do Alasca Fairbanks para checar o “Índice Kp” (que mede a atividade geomagnética).
  2. Equipamento: Para fotos, você precisará de um tripé e uma câmera que permita longa exposição (10 a 20 segundos).
  3. Roupas em Camadas: O segredo não é um casaco gigante, mas várias camadas (térmica, lã e corta-vento).

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