A União Europeia (UE) decidiu dobrar a aposta. Na última sexta-feira (24), o bloco confirmou que voltará a exigir a criação de um preço global para as emissões de CO2 do transporte marítimo durante as negociações da Organização Marítima Internacional (OMI), na próxima semana. O movimento configura um confronto direto com o governo de Donald Trump, que no ano passado liderou o boicote à medida.
O impasse é crítico: o transporte marítimo é responsável por cerca de 3% das emissões globais, mas, sem um imposto que torne os combustíveis limpos competitivos, a transição do setor permanece ancorada no petróleo.
O fantasma das sanções
No ano passado, o plano climático foi adiado após uma ofensiva agressiva de Washington. O governo Trump não apenas se opôs à taxação, como chegou a ameaçar sanções e restrições de visto contra delegados que apoiassem a medida.
- Resistência Europeia: O documento de negociação da UE, obtido pela Reuters, afirma que o bloco “deverá opor-se a quaisquer tentativas” de silenciar o debate climático na reunião.
- Pessimismo nos bastidores: Apesar da postura firme, diplomatas europeus admitem, sob sigilo, que um acordo é improvável enquanto os EUA mantiverem o veto absoluto.
Divisão de forças: 57 contra 49
A votação que adiou o imposto em outubro passado revelou um mundo dividido:
- Contra o imposto: Uma coalizão liderada por EUA e China, com apoio de gigantes do registro de navios (Libéria e Panamá) e petroleiras como a saudita Bahri.
- A favor do imposto: Países europeus, pequenas nações insulares (vulneráveis à subida do nível do mar) e o Brasil, que tem buscado um papel de liderança na economia verde.
Rachaduras no bloco Europeu
A pressão externa também gera tensões internas na UE. Países com fortes tradições marítimas, como Grécia, Chipre, Malta e Itália, mostram resistência em apoiar a taxação de carbono, temendo a perda de competitividade de suas frotas. Na última votação, esses países romperam com o bloco, abstendo-se ou recusando-se a assinar a posição conjunta.
O caminho do meio?
O ministro do Meio Ambiente da Noruega, Andreas Bjelland Eriksen, sugeriu que a OMI busque “abordagens diferentes” para evitar um novo fracasso. Uma das propostas seria fatiar a regulamentação, implementando partes menos polêmicas agora e adiando os pontos de maior atrito com os americanos para um segundo momento.
Destaques das Negociações OMI (Abril 2026):
- Meta: Estabelecer um preço global por tonelada de CO2 emitida por navios.
- Obstáculo: Oposição frontal dos EUA, China e grandes registradores (Libéria/Panamá).
- Aliados: UE, Brasil e Países Insulares.
- Risco: Fragmentação das regras, com a UE podendo criar sua própria taxa regional caso a ONU falhe novamente.
Fonte: Reuters


