As bandeiras dos EUA e da União Europeia são vistas nesta ilustração tirada em 10 de abril de 2025. REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração.
As bandeiras dos EUA e da União Europeia são vistas nesta ilustração tirada em 10 de abril de 2025. REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração.

Colisão em alto-mar: UE desafia governo Trump e retoma pressão por imposto global de carbono no transporte marítimo

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A União Europeia (UE) decidiu dobrar a aposta. Na última sexta-feira (24), o bloco confirmou que voltará a exigir a criação de um preço global para as emissões de CO2 do transporte marítimo durante as negociações da Organização Marítima Internacional (OMI), na próxima semana. O movimento configura um confronto direto com o governo de Donald Trump, que no ano passado liderou o boicote à medida.

O impasse é crítico: o transporte marítimo é responsável por cerca de 3% das emissões globais, mas, sem um imposto que torne os combustíveis limpos competitivos, a transição do setor permanece ancorada no petróleo.

O fantasma das sanções

No ano passado, o plano climático foi adiado após uma ofensiva agressiva de Washington. O governo Trump não apenas se opôs à taxação, como chegou a ameaçar sanções e restrições de visto contra delegados que apoiassem a medida.

  • Resistência Europeia: O documento de negociação da UE, obtido pela Reuters, afirma que o bloco “deverá opor-se a quaisquer tentativas” de silenciar o debate climático na reunião.
  • Pessimismo nos bastidores: Apesar da postura firme, diplomatas europeus admitem, sob sigilo, que um acordo é improvável enquanto os EUA mantiverem o veto absoluto.

Divisão de forças: 57 contra 49

A votação que adiou o imposto em outubro passado revelou um mundo dividido:

  • Contra o imposto: Uma coalizão liderada por EUA e China, com apoio de gigantes do registro de navios (Libéria e Panamá) e petroleiras como a saudita Bahri.
  • A favor do imposto: Países europeus, pequenas nações insulares (vulneráveis à subida do nível do mar) e o Brasil, que tem buscado um papel de liderança na economia verde.

Rachaduras no bloco Europeu

A pressão externa também gera tensões internas na UE. Países com fortes tradições marítimas, como Grécia, Chipre, Malta e Itália, mostram resistência em apoiar a taxação de carbono, temendo a perda de competitividade de suas frotas. Na última votação, esses países romperam com o bloco, abstendo-se ou recusando-se a assinar a posição conjunta.

O caminho do meio?

O ministro do Meio Ambiente da Noruega, Andreas Bjelland Eriksen, sugeriu que a OMI busque “abordagens diferentes” para evitar um novo fracasso. Uma das propostas seria fatiar a regulamentação, implementando partes menos polêmicas agora e adiando os pontos de maior atrito com os americanos para um segundo momento.


Destaques das Negociações OMI (Abril 2026):

  • Meta: Estabelecer um preço global por tonelada de CO2 emitida por navios.
  • Obstáculo: Oposição frontal dos EUA, China e grandes registradores (Libéria/Panamá).
  • Aliados: UE, Brasil e Países Insulares.
  • Risco: Fragmentação das regras, com a UE podendo criar sua própria taxa regional caso a ONU falhe novamente.

Fonte: Reuters

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