Um morador da ilha oferece alguns peixes recém-pescados aos gatos em Aoshima, no Japão. (Crédito da imagem: Carl Court/Getty Images)
Um morador da ilha oferece alguns peixes recém-pescados aos gatos em Aoshima, no Japão. (Crédito da imagem: Carl Court/Getty Images)

Aoshima: O fim de uma era na “Ilha dos Gatos” onde os felinos governam o silêncio

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Em apenas 0,5 km² de terra no Mar Interior de Seto, no Japão, desenrola-se um drama biológico e social. Aoshima, outrora uma próspera vila de pescadores de sardinha com quase 900 habitantes, hoje abriga apenas três idosos e cerca de 80 gatos. Mas este ecossistema peculiar está com os dias contados: estimativas indicam que a ilha poderá ser completamente abandonada por humanos nos próximos cinco anos.

O que começou no século XVII como uma solução biológica — gatos trazidos para controlar roedores que destruíam redes de pesca — transformou-se em um fenômeno de superpopulação felina após o êxodo dos pescadores no século XX.

Os gatos de Aoshima são, em sua maioria, ruivos e tricolores, pois descendem de uma pequena população trazida para a ilha por pescadores.(Crédito da imagem: ES3N via Getty Images)

O declínio da dinastia felina

Diferente das imagens vibrantes que circulam na internet, a realidade atual de Aoshima é de envelhecimento.

  • Esterilização em massa: Em 2018, um programa reduziu a população de 200 para os atuais 80 gatos.
  • Ausência de filhotes: Não há registros de nascimentos na ilha desde a intervenção, e todos os gatos sobreviventes têm hoje mais de 7 anos.
  • Genética e endogamia: Um estudo de 2023 revelou que a maioria dos gatos é ruiva ou tricolor devido a uma pequena população fundadora, mas essa consanguinidade resultou em um terço do grupo sofrendo de doenças genéticas.

“Chegará o dia em que não haverá mais pessoas, nem gatos. Tudo o que podemos fazer é cuidar deles enquanto estivermos aqui”, relata Naoko Kamimoto, a moradora de 70 anos que atua como a “mãe dos gatos” da ilha.

Sobrevivência e Solidariedade

A economia de Aoshima hoje respira através da solidariedade. Os gatos não dependem apenas da caça de pequenos animais locais (cujo impacto ambiental ainda é incerto); eles são mantidos por doações de comida enviadas de todo o Japão.

Kamimoto administra medicamentos e alimenta o grupo duas vezes ao dia, rebatendo críticas de negligência: “Alguns são cegos ou magros, mas essa é a realidade da vida selvagem”. Os animais ocupam casas e edifícios abandonados, que servem de abrigo contra os tufões e tempestades frequentes na região.

O futuro de Aoshima

Com o envelhecimento dos últimos três moradores humanos, o futuro dos felinos deve passar pela adoção por abrigos e voluntários do continente. Por enquanto, a ilha segue como um destino de turismo contemplativo, onde visitantes pegam barcos para ajudar na alimentação e testemunhar o capítulo final desta convivência secular.


Aoshima em números:

  • 3: Moradores humanos restantes.
  • 80: Gatos sobreviventes (todos acima de 7 anos).
  • 0,5 km²: Extensão total da ilha.
  • US$ 0: Custo da alimentação, provida inteiramente por doações externas.

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