Vista aérea de uma turbina eólica no parque eólico offshore de Saint-Nazaire, ao largo da costa da península de Guérande, no oeste da França, em 2 de outubro de 2025. REUTERS/Stephane Mahe.
Vista aérea de uma turbina eólica no parque eólico offshore de Saint-Nazaire, ao largo da costa da península de Guérande, no oeste da França, em 2 de outubro de 2025. REUTERS/Stephane Mahe.

Retrocesso energético: TotalEnergies abandona eólica offshore nos EUA para injetar US$ 1 bi em Petróleo e Gás

Compartilhe:

Em um movimento que redesenha o mapa energético da América do Norte, a gigante francesa TotalEnergies anunciou nesta segunda-feira (23/3) que está desistindo de seus projetos de energia eólica offshore nos Estados Unidos. O capital, cerca de US$ 1 bilhão, será redirecionado imediatamente para a produção de gás de xisto e exploração de petróleo no Golfo do México.

O anúncio foi feito durante a conferência CERAWeek, em Houston, e reflete o alinhamento da empresa com a nova política do governo Donald Trump, que tem atuado agressivamente para travar projetos de energia limpa em favor dos combustíveis fósseis.

O Acordo: Reembolso público por bloqueio privado

O Departamento do Interior dos EUA firmou um acordo inédito: o governo vai reembolsar a TotalEnergies em aproximadamente US$ 1 bilhão por contratos de arrendamento firmados em 2022 (durante a gestão Biden). Em troca, a companhia se comprometeu a não desenvolver nenhum novo projeto eólico em águas americanas.

O Secretário do Interior, Doug Burgum, celebrou a decisão como uma “vitória para a energia acessível”, classificando a eólica offshore como “instável e ambientalmente prejudicial”. Por outro lado, o setor de energia renovável reagiu com indignação.

“Trata-se de teatro político. Estão usando dinheiro dos contribuintes para retirar energia limpa da rede em um momento de preços disparando”, criticou Sam Salustro, da Oceanic Network.

O destino do dinheiro: GNL e Petróleo

Os US$ 928 milhões que voltam para o caixa da TotalEnergies em 2026 já têm destino certo no Texas e no Golfo do México:

  • GNL Rio Grande: Desenvolvimento de quatro unidades de liquefação de gás natural.
  • Pré-sal Americano: Expansão da produção de petróleo convencional a montante.
  • Gás de Xisto: Intensificação do fracking em solo americano.

O fim de projetos emblemáticos

Com a rescisão dos contratos, projetos como o Attentive Energy One (Nova York) e áreas em Carolina Long Bay serão oficialmente extintos. O CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanne, justificou a mudança de rota afirmando que, nas condições atuais dos EUA, a eólica offshore “não é a forma mais acessível de produzir eletricidade”.

Para especialistas do setor, o caso da Total pode gerar um “efeito dominó”, onde outras petroleiras europeias, pressionadas pela política hostil de Washington às renováveis, decidam abandonar metas de descarbonização em solo americano para aproveitar os subsídios e facilidades concedidos à indústria do petróleo.

Fonte: REUTERS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *