© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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COP15 em Campo Grande: Brasil desafia “muros geopolíticos” e cria novas áreas de proteção para espécies migratórias

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A cidade de Campo Grande (MS) tornou-se, nesta segunda-feira (23/3), o epicentro da diplomacia ambiental global com a abertura oficial da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15). O evento, que reúne representantes de 132 países e da União Europeia, começou com um tom de urgência: o governo brasileiro defende que a conservação da biodiversidade é a única ferramenta capaz de superar o isolacionismo e as tensões bélicas que fragmentam o mundo atual.

Em discursos complementares durante a Cúpula de Líderes, a ministra Marina Silva e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviaram um recado claro à comunidade internacional: a natureza não reconhece fronteiras e a política também não deveria reconhecê-las quando o assunto é sobrevivência.

Marina Silva: “A natureza nos ensina a solidariedade”

Para a ministra Marina Silva, a COP15 é um laboratório de multilateralismo. Ela destacou que animais migratórios — que atravessam continentes ignorando alfândegas e conflitos — são a prova viva de que a cooperação é uma necessidade biológica.

Marina traçou um paralelo preocupante entre a degradação ambiental e a pobreza. Citando dados da Cepal, a ministra lembrou que 9,8% da população latino-americana vive em pobreza extrema, um aumento significativo desde a última vez que o continente sediou o evento, em 2014. “A crise climática impacta primeiro os mais vulneráveis. Esta COP deve ser um momento de defesa contundente do diálogo coletivo como única forma de resolver nossos problemas”, declarou.

Lula assina decretos e amplia proteção em 174 mil hectares

Enquanto Marina cuidava da articulação diplomática, o presidente Lula transformava o discurso em papel assinado. Durante o encontro, foram formalizados três decretos que expandem a rede de proteção ambiental brasileira:

  1. Criação da RDS Córregos dos Vales do Norte de Minas (MG): Foco em desenvolvimento sustentável e comunidades tradicionais.
  2. Ampliação do Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense (MT).
  3. Ampliação da Estação Ecológica de Taiamã (MT).

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Juntas, essas medidas colocam mais 174 mil hectares sob proteção legal, reforçando o compromisso do país com a meta de proteger 30% das áreas terrestres e marinhas até 2030.

“No lugar de muros e discursos de ódio, precisamos de políticas de acolhimento e de um multilateralismo renovado. A história da humanidade, assim como a dos animais, é feita de migrações e conexões”, afirmou Lula.

As 3 prioridades do Brasil na COP15

O presidente também detalhou o que a delegação brasileira vai brigar para aprovar até o domingo (29):

  • Financiamento inovador: Criação de fundos multilaterais que garantam recursos reais para países em desenvolvimento protegerem suas rotas migratórias.
  • Responsabilidades diferenciadas: Cobrar que as nações ricas, historicamente maiores poluidoras, arquem com uma fatia maior dos custos da conservação.
  • Universalização da declaração do Pantanal: Propor que o modelo de proteção do bioma pantaneiro seja adotado globalmente para salvar espécies que dependem de áreas úmidas.

O que esperar da semana (Zona Azul e Zona Verde)

A COP15 se divide em dois grandes eixos em Campo Grande:

  • Zona Azul: Espaço restrito onde ocorrem as plenárias decisórias, negociações técnicas e apresentações de estudos científicos que ditarão as leis de proteção de aves, peixes e mamíferos migratórios para a próxima década.
  • Programação aberta: O público poderá participar de experiências imersivas, palestras e atividades sobre mudanças climáticas, aproximando a ciência da população sul-mato-grossense e dos visitantes.

O encerramento da Cúpula de Líderes deixa um clima de otimismo cauteloso. Em um mundo que discute tarifas e armamentos, o Brasil tenta fazer com que o voo de uma ave ou o nado de um peixe seja o motivo para sentar à mesa e negociar a paz.

Fonte: Agência Brasil

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