Desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo, o Índice de Saúde do Solo (ISS) foi aplicado no estuário do rio Cocó, no estado brasileiro do Ceará / foto: mangue replantado na foz do rio Cocó; crédito: Gabriel Nóbrega/UFC.
Desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo, o Índice de Saúde do Solo (ISS) foi aplicado no estuário do rio Cocó, no estado brasileiro do Ceará / foto: mangue replantado na foz do rio Cocó; crédito: Gabriel Nóbrega/UFC.

Termômetro do mangue: Cientistas brasileiros criam índice inédito para medir a saúde do “carbono azul”

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Os manguezais são verdadeiros super-heróis do clima: eles estocam carbono de forma muito mais eficiente que as florestas tropicais. Agora, pesquisadores da ESALQ-USP desenvolveram uma ferramenta revolucionária para monitorar esses ecossistemas: o Índice de Saúde do Solo (SHI).

Publicado na revista Scientific Reports, o índice funciona como um termômetro que varia de 0 a 1. Ele permite que gestores ambientais saibam, de forma simples e direta, se um manguezal está funcionando em sua capacidade máxima ou se precisa de intervenção urgente.

O poder da recuperação assistida

O estudo, liderado pela pesquisadora Laís Coutinho Zayas Jimenez, foi testado no estuário do rio Cocó, no Ceará, com resultados reveladores:

  • Mangues preservados: Atingiram a nota máxima de saúde (0,99).
  • Áreas degradadas: Registraram apenas 0,25, mostrando uma perda drástica de funções vitais.
  • Áreas em restauração: Mostraram uma recuperação gradual e animadora. Manguezais replantados há 13 anos já atingiram metade do seu potencial de saúde (0,52), provando que, com ajuda humana, a natureza retoma seu fôlego rapidamente.

Por que a saúde do solo importa?

Não se trata apenas de “lama”. O solo do mangue é responsável por serviços invisíveis, mas essenciais para a economia e a segurança:

  1. Sequestro de Carbono: Retira o CO₂ da atmosfera e o “enterra” no solo por décadas.
  2. Filtro de Contaminantes: Imobiliza metais pesados e poluentes, limpando a água.
  3. Ciclagem de Nutrientes: Sustenta a produtividade da pesca, da qual milhares de famílias dependem.
  4. Barreira Natural: Protege o litoral contra a erosão e a subida do nível do mar.

Próximo passo: Um mapa nacional

O sucesso do índice inspirou um novo projeto que pretende criar o primeiro mapa em larga escala da saúde dos solos de mangue no Brasil. Utilizando sensores remotos e modelagem espacial, os cientistas querem identificar onde estão as áreas mais críticas e onde o potencial de sequestro de carbono é maior.

Para Jimenez, que hoje atua na Fundação Florestal de São Paulo, o SHI é a realização de um sonho: “É possível mostrar aos gestores se um mangue recuperado está produzindo serviços ecossistêmicos plenamente e quanto tempo isso leva”.

Fonte: Agência FAPESP

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