Um novo levantamento do MapBiomas, divulgado nesta quarta-feira (4), acende um alerta vermelho para o planejamento urbano no Brasil. Minas Gerais aparece como o estado com a maior extensão de áreas urbanizadas em terrenos de alta declividade — as famosas encostas íngremes que, sob fortes chuvas, tornam-se cenários de tragédias.
O estudo “Mapeamento Anual das Áreas Urbanizadas no Brasil” revela que Minas possui quase 14,5 mil hectares de áreas construídas em locais de risco. Para dimensão, cada hectare equivale a um campo de futebol profissional. O dado ganha contornos dramáticos após as chuvas recentes que devastaram o estado, deixando um rastro de mortes e desaparecidos.
Juiz de Fora: O epicentro da ocupação em declive
No ranking das cidades brasileiras com maior ocupação de terrenos inclinados, as capitais Rio de Janeiro (1,7 mil ha) e São Paulo (1,5 mil ha) ocupam o topo. No entanto, o destaque negativo recai sobre Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira.
A cidade é a 3ª no país com maior área urbanizada em declive, somando 1.256 hectares construídos em encostas perigosas. A vulnerabilidade do município ficou evidente na última semana, sendo a localidade mais atingida pelas chuvas no estado.

Crescimento perigoso: Ocupação de risco corre mais que a urbanização
O estudo traz um dado alarmante sobre as últimas quatro décadas (1985-2024): a ocupação de áreas de risco cresce em ritmo mais acelerado do que a urbanização em geral.
- Urbanização total: Cresceu 2,5 vezes no Brasil.
- Construções em encostas: Mais que triplicaram no mesmo período.
Segundo Mayumi Hirye, coordenadora do estudo, a expansão urbana ignora a intensificação dos eventos climáticos extremos, que atingem de forma desproporcional as populações em áreas sensíveis.

Rios e enchentes: O desafio da drenagem natural
Além dos morros, a proximidade com corpos d’água é outro fator de exposição. Em 2024, o Brasil contabilizou 1,2 milhão de hectares urbanos em zonas de drenagem natural (áreas de várzea e margens de rios), sujeitas a inundações.
- Rio de Janeiro: Lidera este quesito, com 108,2 mil hectares próximos a rios, área que quase dobrou em 40 anos.
- Rondônia: A construção nestas áreas mais que duplicou, saltando de 7,3 mil para 18,8 mil hectares.

O engenheiro ambiental Edmilson Rodrigues, do MapBiomas, reforça que o monitoramento dessas margens fluviais é vital. Conservar as planícies alagáveis não é apenas uma questão ambiental, mas de preservação da vida e da qualidade de vida nas cidades modernas.
Fonte: Agência Brasil




