Alguns exemplos de “geraisitos”, nomeados em homenagem ao estado de Minas Gerais onde foram encontrados, em suas diferentes formas ( foto: Álvaro Penteado Crósta/IG-UNICAMP )
Alguns exemplos de “geraisitos”, nomeados em homenagem ao estado de Minas Gerais onde foram encontrados, em suas diferentes formas ( foto: Álvaro Penteado Crósta/IG-UNICAMP )

Vidros do espaço: Cientistas descobrem o primeiro campo de “Geraisitos” no Brasil

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O território brasileiro acaba de entrar para um seleto grupo geológico mundial. Uma equipe liderada pelo geólogo Álvaro Penteado Crósta, da Unicamp, identificou o primeiro campo de tectitos do Brasil. Batizados de geraisitos — em homenagem a Minas Gerais, onde os primeiros fragmentos foram achados —, esses “vidros espaciais” são evidências de uma colisão cósmica massiva ocorrida há cerca de 6,3 milhões de anos.

Até então, apenas cinco grandes campos de tectitos eram reconhecidos no planeta (em Belize, América do Norte, Europa Central, Costa do Marfim e Australásia). O campo brasileiro já se estende por mais de 900 quilômetros, atravessando os estados de Minas Gerais, Bahia e Piauí.

O que são os Geraisitos?

Tectitos não são meteoritos, mas sim fragmentos da própria crosta terrestre que foram derretidos instantaneamente pelo impacto de um corpo extraterrestre. Com a energia da colisão, esse material é lançado para a atmosfera em estado líquido e resfria rapidamente enquanto cai, transformando-se em vidro.

  • Aparência: À primeira vista, parecem pedras pretas e opacas. No entanto, sob luz intensa, revelam-se translúcidas com uma cor verde-acinzentada.
  • Textura: Suas superfícies possuem pequenas cavidades, marcas de bolhas de gás que escaparam durante o resfriamento veloz na atmosfera.
  • Composição: São extremamente secos (possuem muito menos água que vidros vulcânicos como a obsidiana) e contêm lechatelierita, um mineral que só se forma sob temperaturas e pressões extremas de impactos.

O mistério da cratera oculta

Apesar da descoberta de mais de 600 espécimes, os cientistas ainda enfrentam um enigma: onde está a cratera? O impacto foi potente o suficiente para espalhar vidro por três estados, mas a marca da “pancada” ainda não foi localizada.

As análises químicas indicam que o objeto atingiu uma rocha muito antiga (o Cráton de São Francisco), com cerca de 3 bilhões de anos. Os pesquisadores agora planejam usar levantamentos magnéticos e gravimétricos para tentar encontrar uma estrutura circular que possa estar enterrada ou erodida sob o solo brasileiro.

Ciência contra o sensacionalismo

O professor Álvaro Crósta ressalta que, embora o impacto tenha sido significativo, eventos dessa magnitude são hoje raríssimos. Para educar o público e evitar alarmismos, ele coordena o perfil @defesaplanetaria no Instagram, onde diferencia riscos reais de especulações. “Compreender esses processos é essencial para separar a ciência da especulação”, afirma o pesquisador.

Fonte: https://agencia.fapesp.br

O artigo “Geraisite: The first tectite occurrence in Brazil” pode ser acessado em https://pubs.geoscienceworld.org/gsa/geology/article-abstract/doi/10.1130/G53805.1/721403 .

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