Vista aérea das ruas de Nuuk, a capital da Groenlândia, em janeiro de 2026 — Foto: Getty Images
Vista aérea das ruas de Nuuk, a capital da Groenlândia, em janeiro de 2026 — Foto: Getty Images

Inverno tropical? Groenlândia registra o janeiro mais quente em 150 anos

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O Ártico está enviando um sinal térmico impossível de ignorar. Segundo o Instituto Meteorológico Dinamarquês (DMI), a costa oeste da Groenlândia acaba de enfrentar o janeiro mais quente de sua história documentada. Na capital, Nuuk, os termômetros atingiram assustadores 11,3°C em pleno inverno do Hemisfério Norte — uma marca que desafia a lógica climática de uma região coberta por gelo quilométrico.

Mapa com medições de temperaturas pela Groelândia em janeiro de 2026 — Foto: Danish Meteorological Institute (DMI)

O desvio da normalidade

Não se tratou de um “veranico” isolado, mas de uma anomalia persistente que se estendeu por mais de 2.000 km, do extremo sul ao norte da ilha.

  • Nuuk: A média mensal foi de 0,1°C, um valor impressionantes 7,8°C acima da média histórica e superando o recorde anterior que durava desde 1917.
  • Ilulissat: Localizada na Baía de Disko, a cidade registrou uma média de -1,6°C, o que representa 11°C a mais do que o normal para o mês.

O efeito Fön e a amplificação Ártica

Embora fenômenos naturais como o Vento Fön (um vento seco e quente que desce as encostas das montanhas) possam elevar as temperaturas por alguns dias, a climatologista Caroline Drost Jensen destaca que a duração e a extensão geográfica deste calor são inéditas.

O pesquisador Martin Olesen, do Centro Nacional de Pesquisa Climática do DMI, reforça que recordes de calor agrupados ao final de uma série histórica de 150 anos não são coincidência: “É um claro indício de que algo mudou”. A Groenlândia está no centro da Amplificação Ártica, fenômeno que faz com que o polo norte aqueça de três a quatro vezes mais rápido do que o restante do globo.

Por que isso importa para o Brasil?

O aquecimento extremo da Groenlândia acelera o derretimento do gelo terrestre, o que contribui diretamente para a elevação do nível do mar em escala global. Para um país com a costa extensa como o Brasil, o calor recorde no Ártico hoje significa maior risco de erosão costeira e inundações em cidades litorâneas amanhã.

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