Greenpeace protesta contra o consumismo na moda com roupas descartadas em frente ao Portão de Brandemburgo, em Berlim, em outubro de 2025 (Getty/Getty Images)
Greenpeace protesta contra o consumismo na moda com roupas descartadas em frente ao Portão de Brandemburgo, em Berlim, em outubro de 2025 (Getty/Getty Images)

Moda sustentável: União Europeia proíbe a destruição de roupas não vendidas a partir de 2026

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A União Europeia deu um golpe fatal no modelo de negócios do fast fashion. A partir de julho de 2026, grandes empresas estarão proibidas de destruir roupas, calçados e acessórios que não foram vendidos. A medida, parte do regulamento Ecodesign for Sustainable Products (ESPR), visa forçar a indústria têxtil a sair do ciclo de desperdício e entrar, finalmente, na economia circular.

Atualmente, estima-se que até 9% das roupas produzidas na Europa sejam incineradas ou jogadas em aterros antes mesmo de chegarem ao corpo de um consumidor. Essa prática “invisível” é responsável pela emissão de 5,6 milhões de toneladas de CO₂ todos os anos.

O custo ambiental do “look do dia”

O setor têxtil é um dos maiores vilões ambientais do planeta, e a nova regra ataca os pontos mais críticos:

  • Sede global: A produção de uma única camiseta de algodão consome 2.700 litros de água, o suficiente para uma pessoa beber por dois anos e meio.
  • Microplásticos: Roupas sintéticas baratas liberam microfibras plásticas a cada lavagem, contaminando oceanos e a cadeia alimentar humana.
  • Transparência forçada: A partir de 2027, as empresas serão obrigadas a divulgar relatórios detalhados sobre o que fazem com seus estoques excedentes. Destruições só serão permitidas em casos raros de dano físico ou risco à segurança.

O cenário no Brasil: Um vácuo legal

Enquanto a Europa avança com multas e proibições, o Brasil ainda engatinha. Embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos (2010) fale em responsabilidade compartilhada, não existe uma lei clara que proíba marcas nacionais de triturar ou queimar coleções passadas para “proteger o valor da marca”.

No entanto, o movimento global coloca pressão sobre o mercado brasileiro, incentivando marcas locais de upcycling e revenda, que buscam se antecipar a uma possível regulação futura no país.

Doação e reuso como nova regra

Com a proibição, as gigantes do setor (como Zara, H&M e Nike) terão que encontrar novos destinos para o que sobra nas prateleiras:

  1. Mercado de segunda mão: Expansão de plataformas de revenda oficiais das próprias marcas.
  2. Remanufatura: Transformar peças antigas em novos designs (upcycling).
  3. Doação estruturada: Destinar excedentes para instituições sociais sem que isso desvalorize a grife.

Para Jessika Roswall, comissária da UE, o objetivo é claro: tornar o setor têxtil europeu mais competitivo e menos dependente de recursos naturais finitos. O recado para o mundo é que a moda “descartável” está com os dias contados.

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