Pessoas procuram ouro nos arredores de Springs, África do Sul. / EPA/Shutterstock
Pessoas procuram ouro nos arredores de Springs, África do Sul. / EPA/Shutterstock

Febre do ouro: Descoberta acidental em curral de gado gera corrida ilegal na África do Sul

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Um cenário que remete ao século XIX tomou conta de Springs, nos arredores de Joanesburgo. O que começou com um morador encontrando partículas de ouro enquanto cavava um cercado para gado transformou-se em uma corrida desenfreada e perigosa. Dezenas de pessoas, incluindo crianças, estão escavando o solo do assentamento informal de Gugulethu na esperança de mudar de vida.

A região, que já foi um polo próspero de mineração, teve suas minas fechadas há anos devido à profundidade inviável dos poços. Agora, a riqueza parece ter “subido” à superfície, atraindo migrantes desempregados e famílias em situação de vulnerabilidade.

Springs, que outrora foi uma próspera cidade mineira ligada à corrida do ouro, viu suas minas fecharem há alguns anos. / EPA/Shutterstock

Dezenas de pessoas vieram para a região na esperança de encontrar ouro. / EPA/Shutterstock

O perigo invisível: Mercúrio e cianeto

O Departamento de Recursos Minerais da África do Sul já condenou a atividade, classificando-a como ilegal e ambientalmente devastadora. O maior risco reside no processamento do metal:

  • Contaminação química: Para separar o ouro do minério, os garimpeiros utilizam mercúrio e cianeto de sódio, substâncias altamente tóxicas que contaminam o solo e os lençóis freáticos.
  • Instabilidade do solo: As escavações desordenadas tornaram o terreno instável, criando risco iminente de desabamentos, especialmente para as crianças que ajudam os pais no local após o horário escolar.

Os mineiros escavaram grande parte do curral de gado. / Thuthuka Zondi/BBC

Economia do desespero

A motivação por trás do crime ambiental é puramente financeira. Na África do Sul, um grama de ouro vale cerca de US$ 100, enquanto o salário mínimo mensal é de apenas US$ 368. Para muitos, o garimpo ilegal — praticado pelos chamados “zama zamas” — é visto como a única alternativa ao crime violento ou à fome extrema.

Pequenas pepitas de ouro são visíveis em uma bateia, em meio a resíduos de água e solo. / Thuthuka Zondi/BBC

Resposta do Governo

O presidente Cyril Ramaphosa anunciou recentemente a mobilização do exército para apoiar a polícia no combate a gangues e à mineração ilegal. Embora em Springs a atividade pareça ser movida por moradores locais e migrantes individuais, as autoridades alertam que esse tipo de prática alimenta mercados negros e organizações criminosas internacionais.

“Sabemos que é ilegal, mas precisamos sustentar nossas famílias”, relatou um minerador à BBC. O impasse entre a necessidade humana e a proteção ambiental segue como um dos maiores desafios sociais da região.

Fonte: BBC News

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