Pesquisadores instalando uma perfuradora na região de Allan Hills, na Antártica. Este trabalho foi financiado pelo Centro de Exploração do Gelo Mais Antigo (COLDEX) da Fundação Nacional de Ciência (NSF).(Crédito da imagem: Foto de Julia Marks Peterson, COLDEX)
Pesquisadores instalando uma perfuradora na região de Allan Hills, na Antártica. Este trabalho foi financiado pelo Centro de Exploração do Gelo Mais Antigo (COLDEX) da Fundação Nacional de Ciência (NSF).(Crédito da imagem: Foto de Julia Marks Peterson, COLDEX)

Máquina do tempo polar: Gelo de 6 milhões de anos é descoberto com “ar ancestral” intacto

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Cientistas acabam de resgatar na Antártida o que pode ser considerado o “Santo Graal” da paleoclimatologia: um bloco de gelo com 6 milhões de anos. A descoberta, realizada na região de Allan Hills, na Antártida Oriental, esmaga o recorde anterior de 2,7 milhões de anos e oferece uma janela direta para uma Terra que não existe mais.

O estudo, publicado na revista PNAS, revela que este gelo não contém apenas água congelada, mas bolhas de ar aprisionadas que conservam a atmosfera exata do período Mioceno.

O núcleo de gelo da Antártida contém o gelo e o ar mais antigos com datação direta.(Crédito da imagem: COLDEX)

Como era a Terra há 6 milhões de anos?

Ao analisar essas amostras, os pesquisadores estão “viajando” para uma época em que o planeta era drasticamente diferente:

  • Clima e Mares: A Terra era muito mais quente e o nível do mar significativamente mais alto que o atual.
  • Fauna Exótica: O planeta era habitado por gigantes agora extintos, como tigres-dentes-de-sabre, rinocerontes do Ártico e os primeiríssimos mamutes.
  • Resfriamento: A análise dos isótopos de oxigênio mostrou que a região de Allan Hills resfriou cerca de 12°C de forma constante ao longo desses 6 milhões de anos.

A ciência da datação: O isótopo de argônio

Diferente de camadas mais jovens, onde se conta os anos como anéis de árvores, o gelo de Allan Hills exigiu tecnologia de ponta. Os cientistas mediram o decaimento radioativo de isótopos de argônio presentes nas bolsas de ar para confirmar a idade impressionante de 6 milhões de anos.

Por que o gelo não derreteu ou se moveu?

Allan Hills é um lugar geologicamente único. Enquanto a maior parte do gelo da Antártida flui em direção ao mar, as montanhas acidentadas desta região “travam” o gelo no lugar. Além disso, ventos catabáticos fortíssimos varrem a neve fresca, expondo o que os cientistas chamam de “gelo azul” — camadas antigas que ficam quase na superfície, facilitando a perfuração.

Por que isso importa hoje?

Entender como os níveis de gases de efeito estufa e as temperaturas oceânicas se comportaram naturalmente no passado é a chave para prever o impacto da atual crise climática causada pelo homem. Este gelo é o registro mais antigo que temos para entender como o “termostato” da Terra funciona em escalas de tempo de milhões de anos.

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