(Crédito da imagem: Paul & Paveena Mckenzie/Getty Images)
(Crédito da imagem: Paul & Paveena Mckenzie/Getty Images)

O Continente que se parte: clima seco acelera a separação da África Oriental

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A África está se dividindo em duas, e o clima pode ser o “acelerador” desse processo. Uma pesquisa inovadora publicada na revista Scientific Reports revela que a transição de um clima úmido para um seco na África Oriental está fazendo com que a crosta terrestre se separe com mais facilidade, acelerando a formação de um novo oceano.

O estudo, liderado pelo geólogo Christopher Scholz, da Universidade Columbia, foca na Zona de Rift da África Oriental, uma fenda gigantesca que corta o continente.

O peso da água: a morsa geológica

Há cerca de 5.000 anos, a África passou pelo chamado “Período Úmido Africano”. Naquela época, lagos como o Turkana, no Quênia, eram muito mais profundos e pesados. De acordo com os pesquisadores, essa massa colossal de água funcionava como uma “morsa” gigante, pressionando a crosta e mantendo as falhas geológicas presas.

Com o fim do período úmido e a queda do nível dos lagos, essa pressão diminuiu. “É como se as tábuas de madeira estivessem presas por um grampo que foi solto”, explica Scholz. Sem o peso da água, as falhas ganharam liberdade para se mover, acelerando o rifteamento (separação) em cerca de 0,17 milímetros extras por ano.

Vulcões e magma: o efeito indireto

A simulação computacional dos cientistas descobriu que a seca afeta a Terra de duas formas:

  1. Descompressão Direta: Menos peso sobre as falhas sísmicas, facilitando terremotos e deslizamentos de placas.
  2. Atividade Vulcânica: A remoção da água descomprime o manto terrestre sob vulcões locais. Isso gera mais derretimento de rocha, alimentando câmaras magmáticas que, ao se expandirem, forçam a abertura das falhas ao redor.

Um futuro de terremotos mais Intensos

A conclusão é que a região do Rift hoje é muito mais ativa e propensa a terremotos intensos do que era há 8.000 anos. Embora a África esteja se fragmentando a uma taxa total de 6,35 milímetros por ano, essa pequena “ajuda” do clima seco mostra que a geologia do planeta é sensível às mudanças ambientais na superfície.

Atualmente, a equipe trabalha no Lago Malawi para entender como essas variações de água influenciaram a separação continental ao longo de 1,4 milhão de anos.

Fontes do artigo

Muirhead, JD, Xue, L., Moucha, R., Paciga, MK, Judd, EJ, & Scholz, CA (2025). Rifteamento acelerado em resposta às mudanças climáticas regionais no Sistema de Rifte da África Oriental. Scientific Reports , 15 (1), 38833. https://doi.org/10.1038/s41598-025-23264-9

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