Arqueólogos revelaram detalhes impressionantes da carroça de Lchashen, um veículo de quatro rodas com cobertura recuperado nas proximidades do Lago Sevan, na Armênia. Datada dos séculos XV a XIV a.C., a peça não é apenas um meio de transporte, mas uma obra-prima da engenharia da Idade do Bronze Final, composta por mais de 70 componentes unidos por encaixes de precisão.
Uma “máquina” de luxo e cerimônia
Diferente de carroças rudimentares, o exemplar de Lchashen apresenta uma construção complexa de encaixes de espiga e rasgo, reforçada com acessórios de bronze. A estrutura da cobertura, que provavelmente era revestida com couro ou tecidos finos, exigiu a perfuração manual de centenas de furos encaixados com perfeição milimétrica.
As dimensões também impressionam: a carroça tem cerca de 2 metros de comprimento, mas o destaque são as rodas maciças de 1,60 metro de altura. Especialistas sugerem que a escala e o detalhamento indicam que esses veículos eram símbolos de alto status, utilizados em procissões cerimoniais e funerais da elite.
Revelada pelo recuo das águas
A descoberta extraordinária só foi possível devido à drenagem do Lago Sevan durante a era soviética. O recuo das águas expôs um cemitério com mais de 500 sepulturas, onde foram encontradas cinco carroças de carvalho. A preservação da madeira em um ambiente antes submerso permitiu que os cientistas estudassem a mecânica dos eixos e os parafusos de metal originais em três dimensões.
Ostentação na vida e na morte
O conjunto funerário de Lchashen, que agora está em exibição no Museu de História da Armênia, em Yerevan, reflete uma sociedade que valorizava a mobilidade e a tecnologia. Enterrar líderes com seus veículos era uma prática comum na região, funcionando como uma demonstração póstuma de poder e garantindo que o prestígio do governante continuasse na “outra vida”.
Embora o uso da roda seja anterior a esse achado, o exemplar armênio permanece como uma referência mundial pela qualidade do artesanato e pelo estado de conservação, sendo um dos veículos cobertos mais antigos e completos já catalogados pela ciência.
Fonte: www.jpost.com


