Um Bushveld sengi (Elephantulus intufi), fotografado pela Dra. Maria Oosthuizen
Um Bushveld sengi (Elephantulus intufi), fotografado pela Dra. Maria Oosthuizen

Inteligência Artificial agora identifica mamíferos crípticos através de pegadas com 96% de precisão

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Cientistas desenvolveram uma ferramenta inovadora capaz de distinguir espécies de pequenos mamíferos quase idênticas apenas analisando o formato de suas pegadas. O estudo, publicado na revista Frontiers in Ecology and Evolution, oferece uma alternativa ética, barata e não invasiva aos métodos tradicionais de monitoramento, como a análise de DNA ou capturas estressantes para os animais.

O desafio das espécies “crípticas”

Pequenos mamíferos são indicadores fundamentais da saúde de um ecossistema, mas muitas espécies são visualmente indistinguíveis. É o caso dos Sengis (anteriormente conhecidos como musaranhos-elefante). Embora pareçam iguais, o sengi-das-rochas e o sengi-do-mato ocupam nichos ecológicos diferentes e enfrentam ameaças distintas.

Até então, separá-los exigia testes genéticos caros ou exames físicos detalhados. No entanto, os pesquisadores descobriram que a anatomia dos pés dessas espécies deixa marcas únicas no solo.

Um elefante-das-rochas-oriental (Elephantulus myurus) fotografado pela Dra. Maria Oosthuizen.

Do carvão ao algoritmo

Para treinar o modelo, a equipe liderada pela Dra. Zoë Jewell, da Universidade Duke, utilizou uma técnica simples, mas eficaz, em reservas na África do Sul:

  1. Os animais foram atraídos para caixas com uma mistura de aveia e manteiga de amendoim.
  2. Ao caminhar sobre papel com pó de carvão, deixaram impressões digitais nítidas.
  3. O algoritmo de morfometria analisou mais de 100 características de forma e tamanho, selecionando as nove mais precisas para o diagnóstico.

O resultado foi surpreendente: o modelo alcançou entre 94% e 96% de precisão na identificação correta das espécies.

Um novo termômetro para a saúde do planeta

Diferente da extinção de grandes animais como leões ou pandas, o desaparecimento de pequenos mamíferos é uma “crise silenciosa” que pode colapsar cadeias alimentares inteiras. Por serem extremamente sensíveis a mudanças ambientais, essas espécies funcionam como um sistema de alerta precoce para perturbações ecológicas.

“Nossa tecnologia é flexível o suficiente para se adaptar a quase qualquer ecossistema do planeta”, afirma Jewell. A expectativa é que o método seja expandido para outras espécies ao redor do mundo, permitindo que cientistas monitorem a biodiversidade global através de simples fotos de rastros no chão.

Fonte: https://www.frontiersin.org/

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