Cientistas desenvolveram uma ferramenta inovadora capaz de distinguir espécies de pequenos mamíferos quase idênticas apenas analisando o formato de suas pegadas. O estudo, publicado na revista Frontiers in Ecology and Evolution, oferece uma alternativa ética, barata e não invasiva aos métodos tradicionais de monitoramento, como a análise de DNA ou capturas estressantes para os animais.
O desafio das espécies “crípticas”
Pequenos mamíferos são indicadores fundamentais da saúde de um ecossistema, mas muitas espécies são visualmente indistinguíveis. É o caso dos Sengis (anteriormente conhecidos como musaranhos-elefante). Embora pareçam iguais, o sengi-das-rochas e o sengi-do-mato ocupam nichos ecológicos diferentes e enfrentam ameaças distintas.
Até então, separá-los exigia testes genéticos caros ou exames físicos detalhados. No entanto, os pesquisadores descobriram que a anatomia dos pés dessas espécies deixa marcas únicas no solo.

Do carvão ao algoritmo
Para treinar o modelo, a equipe liderada pela Dra. Zoë Jewell, da Universidade Duke, utilizou uma técnica simples, mas eficaz, em reservas na África do Sul:
- Os animais foram atraídos para caixas com uma mistura de aveia e manteiga de amendoim.
- Ao caminhar sobre papel com pó de carvão, deixaram impressões digitais nítidas.
- O algoritmo de morfometria analisou mais de 100 características de forma e tamanho, selecionando as nove mais precisas para o diagnóstico.
O resultado foi surpreendente: o modelo alcançou entre 94% e 96% de precisão na identificação correta das espécies.
Um novo termômetro para a saúde do planeta
Diferente da extinção de grandes animais como leões ou pandas, o desaparecimento de pequenos mamíferos é uma “crise silenciosa” que pode colapsar cadeias alimentares inteiras. Por serem extremamente sensíveis a mudanças ambientais, essas espécies funcionam como um sistema de alerta precoce para perturbações ecológicas.
“Nossa tecnologia é flexível o suficiente para se adaptar a quase qualquer ecossistema do planeta”, afirma Jewell. A expectativa é que o método seja expandido para outras espécies ao redor do mundo, permitindo que cientistas monitorem a biodiversidade global através de simples fotos de rastros no chão.
Fonte: https://www.frontiersin.org/




