Um genoma oculto de um esqueleto de 5.500 anos revela que doenças semelhantes à sífilis já estavam evoluindo nas Américas milhares de anos antes do que se imaginava. Crédito: Shutterstock
Um genoma oculto de um esqueleto de 5.500 anos revela que doenças semelhantes à sífilis já estavam evoluindo nas Américas milhares de anos antes do que se imaginava. Crédito: Shutterstock

DNA de 5.500 anos revela que doenças “parentes” da sífilis já evoluíam nas Américas milhares de anos antes da colonização

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Cientistas reconstruíram o genoma da bactéria Treponema pallidum a partir de restos humanos milenares encontrados na Colômbia, provando que patógenos complexos já circulavam e se diversificavam no continente muito antes do contato europeu. A descoberta, publicada na revista Science, recua a história genética desta bactéria em mais de 3.000 anos.

Um antepassado misterioso

Os restos mortais, de aproximadamente 5.500 anos, foram localizados em um abrigo rochoso perto de Bogotá. Embora o T. pallidum seja o causador de doenças modernas como a sífilis, a bouba e o bejel, o genoma recuperado não corresponde a nenhuma dessas linhagens conhecidas.

Pesquisadores do Instituto Suíço de Bioinformática e da Universidade da Califórnia sugerem que esta pode ser uma forma ancestral da pinta, uma doença cutânea que ainda é endêmica em partes das Américas Central e do Sul, mas que era considerada por muitos como “inócua” ou menos complexa evolutivamente.

O “Relógio” genético

A análise indica que esta cepa ancestral se separou de outras linhagens há cerca de 13.700 anos, situando a presença da bactéria no continente ainda no Pleistoceno Superior. Isso reforça que as populações indígenas americanas já enfrentavam e coexistiam com desafios patogênicos sofisticados há mais de 10 milênios.

Sorte e profundidade de dados

Curiosamente, a descoberta foi um “bônus” de outra pesquisa. Os cientistas estavam sequenciando o DNA para estudar migrações humanas e geraram um volume massivo de dados (1,5 bilhão de fragmentos). Durante a triagem, detectaram traços bacterianos.

  • Inovação: O DNA foi extraído da tíbia (canela), um osso raramente usado para este fim.
  • Surpresa: O esqueleto não apresentava marcas visíveis de infecção, o que desafia a crença de que apenas ossos “doentes” preservam DNA de patógenos.

Por que isso importa hoje?

Para o geneticista Lars Fehren-Schmitz, entender como essas bactérias se transformaram ao longo de milênios é vital para prever futuras mutações e riscos à saúde pública. Além do valor científico, a equipe realizou um trabalho ético de consulta com comunidades indígenas e acadêmicos colombianos, garantindo que a descoberta fosse interpretada como parte da herança cultural e médica do país.

Fonte: Universidade de Lausanne

Referência do periódico :

  1. Davide Bozzi, Nasreen Z. Broomandkhoshbacht, Miguel Delgado, Jane E. Buikstra, Carlos Eduardo G. Amorim, Kalina Kassadjikova, Melissa Pratt Estrada, Gilbert Greub, Nicolas Rascovan, David Šmajs, Lars Fehren-Schmitz, Anna-Sapfo Malaspinas, Elizabeth A. Nelson. Genoma de Treponema pallidum de 5.500 anos de Sabana de Bogotá, Colômbia . Ciência , 2026; 391 (6783) DOI: 10.1126/science.adw3020

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