O avanço global rumo à descarbonização alcançou um novo patamar em 2025. Segundo análise da BloombergNEF, o investimento mundial em transição energética cresceu 8% no último ano, totalizando o recorde de US$ 2,3 trilhões (aproximadamente R$ 12 trilhões). O setor de energia elétrica liderou os aportes com US$ 1,2 trilhão, seguido pelo transporte eletrificado, que atraiu US$ 893 bilhões.
Ásia-Pacífico e Europa impulsionam os números
A região da Ásia-Pacífico, ancorada por China, Índia e Japão, foi o principal motor dessa expansão, respondendo por quase metade dos gastos globais. Na União Europeia, o crescimento foi de 18% em comparação ao ano anterior, refletindo políticas robustas de segurança energética.
Nos Estados Unidos, apesar das tensões políticas e retóricas contrárias às fontes renováveis, os investimentos verdes subiram 3,5%, atingindo US$ 378 bilhões. O aumento demonstra a resiliência do setor privado e das cadeias de suprimentos domésticas frente às mudanças de governo.
Recuo histórico nos combustíveis fósseis
Pela primeira vez desde 2020, o investimento global em combustíveis fósseis apresentou queda. O movimento foi impulsionado pela redução de gastos em exploração e produção de petróleo e gás, além de um menor interesse em novas plantas de geração térmica convencional.
Desafios: Escala e regulação
Apesar do recorde, o relatório acende um alerta sobre a velocidade da transição. O valor investido especificamente em fontes renováveis foi 9,5% menor que em 2024, impacto gerado principalmente por reformas regulatórias na China.
Especialistas alertam que, para evitar os efeitos mais graves das mudanças climáticas, o financiamento anual precisa mais que dobrar, atingindo US$ 5,2 trilhões até o final desta década. Conforme destaca Albert Cheung, vice-presidente da BloombergNEF, a expansão de infraestruturas como data centers será um dos grandes vetores para sustentar esse crescimento futuro.


