As linhas costeiras em todo o mundo estão colapsando sob a pressão combinada da elevação do nível do mar e da expansão do desenvolvimento humano, ameaçando a biodiversidade, as economias costeiras e a própria estabilidade das cidades litorâneas. Crédito: Shutterstock
As linhas costeiras em todo o mundo estão colapsando sob a pressão combinada da elevação do nível do mar e da expansão do desenvolvimento humano, ameaçando a biodiversidade, as economias costeiras e a própria estabilidade das cidades litorâneas. Crédito: Shutterstock

Elevação do nível do mar: cientistas alertam que metade das praias do mundo pode desaparecer

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A elevação do nível do mar, impulsionada pelas mudanças climáticas, combinada com a expansão urbana nas zonas costeiras, está causando o “esmagamento” progressivo das linhas costeiras do planeta. O alerta foi dado pelo cientista marinho uruguaio Omar Defeo, professor da Universidade da República do Uruguai (UdelaR), durante o simpósio Dia da FAPESP Uruguai.

Defeo prevê que “Quase metade das praias desaparecerá até o final do século”. Ele destacou que essa perda desestabiliza ecossistemas vitais e ameaça economias locais dependentes da pesca e do turismo. O cientista enfatizou a necessidade de colaboração entre países como Uruguai, Brasil e Argentina para gerenciar e conservar os ecossistemas costeiros.

A interconexão essencial das zonas costeiras

O ecossistema costeiro é um sistema interligado, composto por três regiões:

  • Duna (pós-praia): Atua como uma barreira natural contra tempestades. A urbanização que a elimina pode resultar na destruição de casas à beira-mar.
  • Praia (face da praia): Fica exposta na maré baixa e coberta na maré alta.
  • Parte submersa (fronteira): Se estende do limite da maré baixa até o ponto onde as ondas começam a quebrar.

Defeo explica que o movimento bidirecional entre o vento (que transporta areia para a zona de arrebentação) e as ondas (que trazem o sedimento de volta) gera uma troca constante, essencial para o equilíbrio ambiental.

Pesquisas comprovam o impacto humano

Um estudo conduzido pela equipe de Defeo em parceria com cientistas brasileiros, publicado no Marine Pollution Bulletin, confirmou que a perturbação de qualquer uma dessas três zonas afeta todo o ecossistema.

A pesquisa, que examinou 90 locais ao longo do litoral norte de São Paulo, concluiu que o aumento do número de frequentadores de praias e a limpeza mecânica reduzem a riqueza de espécies e a biomassa. O estudo demonstrou que os impactos humanos — como construções e grande número de visitantes na parte superior da praia — afetam negativamente a biodiversidade nas áreas inferiores e submersas.

Outro estudo global, liderado por Defeo e publicado na Frontiers in Marine Science, avaliou 315 praias e constatou que um quinto delas apresenta erosão intensa, extrema ou severa. O fator humano, como a urbanização, desempenha um papel significativo na erosão, especialmente em praias refletoras e intermediárias.

A cerimônia de abertura do simpósio contou com a presença de autoridades da Agência Nacional de Pesquisa e Inovação do Uruguai (ANII) e da FAPESP, reforçando a importância da colaboração regional e internacional.


Fonte: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo

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