Complexo encerra o ano com R$ 60 milhões investidos em fornecedores locais e amplia ações em inovação, educação ambiental e descarbonização
O Porto do Açu reuniu, nesta terça-feira (11), gestores e jornalistas da imprensa regional para apresentar o balanço de 2025. O encontro aconteceu em clima de otimismo. Os números mostram que o complexo segue como um dos principais vetores de desenvolvimento do Norte Fluminense — e também um exemplo nacional de gestão voltada à inovação, sustentabilidade e valorização do território.
Desde o início das operações, em 2014, o Açu se consolidou como polo econômico da região. Mas os últimos anos revelam um movimento ainda mais profundo: o avanço de uma economia que aposta em tecnologia, baixo carbono e impacto social positivo. Apenas a Porto do Açu Operações deve encerrar 2025 com R$ 60 milhões investidos em fornecedores locais, representando mais de 20% de todas as contratações da empresa.


Esse movimento gerou efeitos concretos. Mais de 145 fornecedores da região participaram de capacitações, rodadas de negócios e programas de desenvolvimento. Na formação de novas gerações, os números também impressionam: 1.800 jovens ingressaram em programas como Jovem Aprendiz e Estágio Técnico ao longo do ano.
Hoje, cerca de 70% dos 7 mil trabalhadores das empresas instaladas no complexo são moradores de São João da Barra e Campos dos Goytacazes — reflexo de uma estratégia que conecta desenvolvimento econômico ao fortalecimento de comunidades locais. Além disso, 6% de todo o PIB brasileiro passa pelo Açu, que também é responsável por 40% da receita tributária própria de São João da Barra.
Saiba Mais: Reserva Caruara em Números
- A maior reserva privada de restinga do Brasil
- 40 km² de área protegida
- +20 programas de monitoramento ambiental
- +47 mil visitantes até outubro/25
- +69 pesquisas científicas realizadas
Caruara em Ação
- Primeira unidade de negócio com contrato externo ao complexo
- Parceria com o Inea para expandir ações de educação ambiental
- Reconhecimento do Ministério do Turismo como atrativo sustentável
- Estudos em andamento para créditos de biodiversidade e carbono
Energia limpa e novas tecnologias
O ano de 2025 marcou uma virada verde no Açu. O hub de hidrogênio ganhou força com novas parcerias — Yamna, Sempen e H2Brazil — além do licenciamento de mais 4,5 milhões de m² dedicados a projetos de baixo carbono.
Outro avanço estratégico é o hub de ferro metálico, que deve produzir HBI (Hot Briquetted Iron) com até 60% menos emissões de CO₂. O modelo utiliza gás natural, mas já nasce preparado para operar com hidrogênio verde, abrindo caminho para uma das cadeias de aço mais limpas do mundo.
O Porto também realizou o primeiro abastecimento com HVO (diesel verde) da navegação brasileira, com redução potencial de até 80% das emissões. Em parceria com o Porto de Antuérpia-Bruges, foi criado o primeiro corredor marítimo verde entre Brasil e Europa.

Crescimento logístico com pegada sustentável
O Terminal Multicargas (T-Mult) viveu seu melhor ano. Agora com dois berços e capacidade para 2,7 milhões de toneladas/ano, o terminal incorporou novas cargas — entre elas trigo, tarugo e milho não transgênico, que resultaram na primeira exportação de grãos do Mato Grosso pelo Açu.
Nos próximos anos, o porto projeta ainda:
- Unidade misturadora de fertilizantes
- Terminal de grãos
- Planta de fertilizantes de nitrogênio
- Integração ferroviária
Outro marco importante de 2025 foi a entrada em operação da GNA II, após R$ 7 bilhões em investimento. Hoje é a maior usina a gás natural do Brasil, com capacidade para gerar 1,7 GW, energia suficiente para abastecer 8 milhões de casas.
Caruara: natureza, ciência e educação ambiental
No coração do complexo, a Reserva Caruara destaca que é possível crescer preservando. São 40 km² de restinga protegida, consolidando o espaço como maior reserva privada de restinga do país.
Em 2025, a Caruara recebeu 47 mil visitantes, acolheu 69 pesquisas científicas e fortaleceu sua missão como sala de aula a céu aberto. Em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de São João da Barra, a reserva desenvolveu e distribuiu cartilhas de educação ambiental, hoje utilizadas no currículo escolar.
A experiência local se tornou referência: a parceria com o Inea vai permitir que modelos educativos aplicados na Caruara sejam replicados em parques estaduais. No nível nacional, a reserva foi incluída oficialmente no Mapa de Turismo Sustentável do Ministério do Turismo.
Além disso, começam a ser estruturados novos modelos de valorização da natureza, como créditos de biodiversidade, créditos de carbono e estudos de eco-meteorologia — iniciativas ligadas ao conceito internacional de nature positive, que propõe devolver mais à natureza do que se retira.
O Porto que aponta para o futuro
Com investimentos de longo prazo, qualificação profissional, estímulo à economia local e ações concretas de transição energética, o Porto do Açu reafirma sua presença como um dos grandes centros de inovação do Brasil.
Mais que um porto, o Açu se firma como um ecossistema de energia limpa, indústria sustentável, conservação ambiental e desenvolvimento regional — preparado para os desafios de um mundo que precisa crescer de forma responsável.



