O nível cada vez mais baixo do Grande Lago Salgado, nos Estados Unidos, está revelando fenômenos surpreendentes. Geólogos da Universidade de Utah detectaram o surgimento de ilhas cobertas por juncos na região sudeste do lago, associadas a fontes subterrâneas de água doce.
Esses montes circulares, conhecidos como “Pontos Redondos”, estão sendo investigados por meio de piezômetros e levantamentos eletromagnéticos aéreos. Segundo o professor Bill Johnson, da Universidade de Utah, eles indicam locais onde águas subterrâneas emergem sob pressão, criando verdadeiros oásis em meio ao ambiente salino.
A água doce é canalizada por um sistema subterrâneo ainda pouco compreendido, mas que pode representar até 12% do volume hídrico do lago — um número muito superior aos 3% anteriormente estimados.
Além das análises de pressão e profundidade, os cientistas criam imagens 3D do subsolo do lago com ajuda de tecnologia canadense. Essa pesquisa pode não apenas revelar a origem da água — possivelmente das montanhas próximas — mas também ajudar a combater a poluição por poeira gerada pelas áreas secas do lago.
Risco e potencial
O foco, no entanto, não é a exploração desse recurso. Os pesquisadores alertam que as águas subterrâneas são frágeis e devem ser compreendidas antes de qualquer utilização. Johnson ressalta que sua equipe já identificou água doce em diversos pontos, a até 9 metros de profundidade, mesmo longe da costa.
“A água no centro desses montes é mais pura e quer subir, enquanto a água nas bordas está tampada por sedimentos”, explica. Essa configuração aponta para um sistema de encanamento natural que conecta depósitos profundos à superfície, agora exposta devido à queda do nível do lago.
Com apoio do Departamento de Recursos Naturais de Utah, a equipe busca mapear a origem e quantidade dessa água. Segundo Johnson, entender esse processo é essencial para mitigar impactos ambientais e restaurar as crostas do leito do lago, reduzindo emissões de poeira tóxica.
Enquanto o mistério das águas subterrâneas se aprofunda, os pesquisadores trabalham para responder a uma pergunta vital: será possível usar esse sistema para preservar o lago — sem colocar em risco seu frágil equilíbrio ecológico?
Fonte: Universidade de Utah


