As árvores tropicais oferecem os maiores benefícios climáticos, resfriando o ar e absorvendo dióxido de carbono, além de ajudar a combater incêndios. Crédito: Shutterstock
As árvores tropicais oferecem os maiores benefícios climáticos, resfriando o ar e absorvendo dióxido de carbono, além de ajudar a combater incêndios. Crédito: Shutterstock

Plantar árvores nos trópicos tem maior impacto climático, revela estudo da Universidade da Califórnia

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Um novo estudo da Universidade da Califórnia em Riverside (UCR) confirmou o que especialistas ambientais já desconfiavam: plantar árvores nas regiões tropicais é a maneira mais eficaz de combater o aquecimento global. A pesquisa, publicada na revista npj Climate and Atmospheric Science, revelou que o impacto climático positivo do reflorestamento é significativamente maior nos trópicos do que em regiões de latitude mais alta.

Segundo os pesquisadores, o plantio de árvores ajuda a remover dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera — o principal gás responsável pelas mudanças climáticas. Mas, além do sequestro de carbono, o estudo também analisou efeitos físicos locais, como temperatura, umidade e radiação solar, que variam de acordo com a localização geográfica das novas florestas.

“Nosso estudo mostrou que os trópicos oferecem o maior retorno climático por árvore plantada. As árvores tropicais não apenas capturam CO₂ de forma eficiente, como também resfriam o ar ao liberar vapor d’água”, explica James Gomez, autor principal e pesquisador de pós-graduação da UCR.

Esse resfriamento acontece por meio da evapotranspiração, um processo semelhante ao suor humano. As árvores extraem água do solo, que sobe pelo tronco e evapora pelas folhas. Essa “sudorese” vegetal reduz a temperatura local e pode até influenciar a formação de nuvens, bloqueando parte da radiação solar.

Regiões tropicais: o “ponto ideal” para plantar

O resfriamento médio global causado pelo plantio de árvores é pequeno (cerca de 0,01 °F), mas esse efeito se multiplica em áreas tropicais, podendo chegar a 0,8 °F em locais como a África Central. Quando se contabiliza também o sequestro de carbono, o resfriamento pode atingir cerca de 0,15 °F globalmente.

“Embora os efeitos não relacionados ao CO₂ sejam modestos, é animador ver que eles não contribuem para o aquecimento, como estudos anteriores sugeriam”, afirma Gomez.

Além disso, o estudo destaca que o reflorestamento tropical pode ajudar a reduzir incêndios florestais, especialmente em ecossistemas como savanas, onde as árvores são mais resistentes ao fogo do que as gramíneas.

Reflorestar com inteligência

Os pesquisadores também adotaram um modelo realista: o plantio foi simulado apenas em áreas anteriormente desmatadas, evitando conflitos com terras agrícolas e comunidades locais. O estudo utilizou dados de 12 modelos climáticos amplamente reconhecidos, aumentando a confiabilidade das conclusões.

Já em regiões como o Canadá e o nordeste dos EUA, o plantio de árvores pode ter efeitos opostos, absorvendo mais radiação solar, aquecendo o solo e, em alguns casos, aumentando o risco de incêndios. Ainda assim, os cientistas enfatizam que todas as florestas são importantes, principalmente para a biodiversidade e o equilíbrio ecológico.

“Precisamos encontrar o ‘ponto ideal’ de cobertura florestal para cada região. O objetivo não é plantar indiscriminadamente, mas sim reflorestar com estratégia para alcançar o maior benefício climático possível”, conclui Gomez.

Fonte: Universidade da Califórnia – Riverside

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