Pesquisadores da Universidade de Sharjah defendem que os gêmeos digitais com tecnologia de inteligência artificial (IA) podem desempenhar um papel crucial na transição para a energia limpa. Segundo estudo publicado na Energy Nexus, essas réplicas digitais de sistemas físicos têm potencial para transformar a geração, o gerenciamento e a otimização de energia em diversas fontes renováveis.
A tecnologia já se destaca em outros setores pela capacidade de simular cenários complexos, reduzir custos e aumentar a eficiência. Aplicada ao setor energético, ela poderia acelerar o abandono dos combustíveis fósseis, associados ao aquecimento global.
Oportunidades dos gêmeos digitais na energia renovável
Os pesquisadores analisaram mais de 60 estudos sobre aplicações dessa tecnologia e identificaram ganhos potenciais:
- Energia eólica: previsão de parâmetros desconhecidos e correção de falhas de medição.
- Energia solar: identificação dos fatores que afetam a eficiência dos painéis.
- Energia geotérmica: simulação de perfurações e redução de custos operacionais.
- Energia hidrelétrica: modelagem da dinâmica de sistemas e mitigação da fadiga de trabalhadores em usinas antigas.
- Energia de biomassa: maior controle de processos e otimização do desempenho.
O “porém”: limitações atuais da tecnologia
Apesar do potencial, os autores destacam falhas críticas que ainda precisam ser superadas:
- Eólica: dificuldade em simular erosão das pás e desgaste de turbinas antigas.
- Solar: baixa precisão para prever degradação de longo prazo dos painéis.
- Geotérmica: falta de dados confiáveis sobre condições geológicas.
- Hidrelétrica: problemas em modelar variação do fluxo de água e impactos ambientais.
- Biomassa: limitações para representar toda a cadeia de suprimentos e reações bioquímicas complexas.
Roteiro para o futuro
O estudo recomenda investimentos em coleta de dados de alta qualidade, técnicas avançadas de modelagem e maior poder computacional. Segundo os pesquisadores, só assim os gêmeos digitais poderão oferecer análises mais robustas e apoiar decisões estratégicas para ampliar a participação da energia limpa no mundo.
“Os gêmeos digitais são uma promessa real para otimizar a geração renovável. Mas precisamos enfrentar os desafios específicos de cada sistema para liberar todo o seu potencial”, concluem os autores.
Fonte: Universidade de Sharjah


