Pesquisadores brasileiros solucionaram um mistério científico que durava mais de meio século. Uma planta fossilizada, encontrada no Rio Grande do Sul na década de 1970, acaba de ganhar uma nova identidade e relevância para a paleobotânica. O estudo, liderado pela Universidade do Vale do Taquari (Univates) e publicado na Review of Palaeobotany and Palynology, revelou que o fóssil pertence a um novo gênero, batizado de Franscinella riograndensis, e apresentou algo raro: esporos preservados em seu interior.
O exemplar viveu há aproximadamente 260 milhões de anos, no período Permiano, e foi encontrado em rochas da Bacia do Paraná, que se estende pelo Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. Originalmente, a planta havia sido classificada como Lycopodites riograndensis, mas na época a análise se limitava à forma externa — caules e folhas — sem acesso às estruturas internas.
Avanço com tecnologia de ponta
Graças a modernas técnicas de microscopia e análise de microfósseis, os cientistas revisitaram o material e encontraram esporos “in situ” — preservados dentro da planta. Esse tipo de descoberta é raro no Brasil e permite compreender melhor a reprodução, ecologia e adaptação dessas plantas no passado.
A recuperação dos esporos foi possível graças ao trabalho do Instituto Tecnológico itt Oceaneon, da Unisinos, que aplicou um protocolo especializado para separação e análise microscópica. Os esporos encontrados coincidem com registros de outras rochas da mesma época, ajudando a conectar dados visíveis e microscópicos da Bacia do Paraná.
Novo gênero e homenagem científica
Com as novas informações, a equipe propôs um gênero inédito, Franscinella, nomeado em homenagem à paleobotânica Maria do Carmo F. Bernardes-de-Oliveira, referência na área no Brasil.
O estudo reuniu pesquisadores brasileiros, alemães e especialistas de diferentes áreas, contando com apoio de instituições como a UFRGS e agências de fomento à ciência como CNPq e CAPES. A pesquisa integra a dissertação de mestrado de Júlia Siqueira Carniere, atualmente doutoranda na Univates.
Essa descoberta reforça a importância da tecnologia e da colaboração internacional na reinterpretação de fósseis e na compreensão da biodiversidade do passado.



