Luca Galuzzi / Wikimedia Commons
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Geleira Perito Moreno pode enfrentar colapso irreversível nas próximas décadas

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A geleira Perito Moreno, um dos cartões-postais mais icônicos da Patagônia argentina e patrimônio mundial da UNESCO, pode estar entrando em um processo de declínio irreversível. A conclusão é de um estudo recente publicado na revista Nature, que alerta para um possível desaparecimento da geleira nas próximas décadas se medidas urgentes não forem tomadas.

Por muitos anos, Perito Moreno foi considerada estável, resistindo melhor do que outras geleiras aos efeitos das mudanças climáticas. Entre 2000 e 2019, ela perdeu em média 34 centímetros de espessura por ano. No entanto, desde 2019, a taxa de rebaixamento na região próxima à sua língua flutuante aumentou de forma alarmante, chegando a 5,5 a 6,5 metros por ano — cerca de 16 vezes mais rápida que antes.

A geleira também está recuando: em alguns trechos, a língua já perdeu mais de 800 metros de extensão. Cientistas utilizaram tecnologia de ondas eletromagnéticas para medir o gelo e constataram que Perito Moreno está se desprendendo de uma crista rochosa subglacial que funcionava como ponto de ancoragem. Essa formação geológica ajudou a manter o equilíbrio entre acúmulo e derretimento por décadas, mas seu desprendimento deve acelerar drasticamente o colapso.

O avanço previsto para os próximos anos levará a geleira a áreas de águas mais profundas, tornando-a mais instável e acelerando o degelo. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o caso de Perito Moreno acompanha a tendência global: em 2024, 19 regiões glaciais no mundo registraram perda líquida de massa pelo terceiro ano consecutivo.

A situação reflete também mudanças mais amplas na Cordilheira dos Andes, onde a redução das nevascas e o aumento das temperaturas obrigam estações de esqui no Chile, como Nevados de Chillán, a recorrer a neve artificial para manter parte das pistas — prática já comum em regiões como os Alpes.

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