Lance Cpl. Niles Lee / Marine Forces Reserve
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Cientistas criticam relatório do governo Trump por distorcer dados sobre mudanças climáticas

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Documento publicado por negacionistas climáticos visa enfraquecer regulações ambientais e promover combustíveis fósseis, segundo especialistas.

Um novo relatório publicado durante o governo Donald Trump tem gerado forte reação da comunidade científica. Produzido por autores conhecidos pelo negacionismo climático, o documento foi divulgado pelo Departamento de Energia dos EUA com o objetivo de minimizar os impactos das mudanças climáticas e servir de base para revogar regulações ambientais federais.

Entre os argumentos apresentados, o texto afirma que o aquecimento global não representa risco significativo à economia, que o nível do mar não está subindo de forma acelerada, e que o aumento de CO₂ na atmosfera pode até beneficiar a agricultura — posições amplamente contestadas pela literatura científica e por organismos internacionais como o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas).

Especialistas denunciam distorções e uso seletivo de dados

Segundo o jornal The Guardian, a publicação foi recebida com críticas contundentes por pesquisadores da área climática. Rachel Cleetus, diretora de clima e ciência da Union of Concerned Scientists (UCS) e coautora do sexto relatório climático nacional dos EUA, afirmou que o documento é uma tentativa clara de promover os combustíveis fósseis, em detrimento da saúde pública e do meio ambiente.

“É uma agenda ideológica, não científica”, afirmou Cleetus.

De acordo com o jornal O Globo, cientistas independentes cujos estudos foram citados no relatório vieram a público para denunciar uso indevido e distorcido das informações. O pesquisador Ben Sanderson, do Centro para Pesquisa Climática Internacional (CICERO), na Noruega, explicou que o documento seleciona evidências isoladas para sustentar posições contrárias ao consenso científico, ignorando o corpo mais amplo de estudos disponíveis.

Trechos deturpados e citação indevida de pesquisadores

Um caso citado pela imprensa é o do economista Richard Tol, das universidades de Sussex e Amsterdã, cujo trabalho foi citado três vezes de forma incorreta no relatório. Em seu blog, Tol criticou abertamente a distorção:

“Fui citado três vezes, e as três estão erradas”, escreveu o pesquisador.

O relatório foi colocado em consulta pública, conforme informou o portal Poder 360, e deve ser analisado por outros órgãos antes de qualquer avanço regulatório.

Consequências internacionais podem surgir

Em paralelo, uma decisão recente do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) trouxe novos desdobramentos ao debate climático. Segundo especialistas ouvidos pelo Climate Home News, o parecer consultivo do tribunal pode abrir caminho para ações judiciais contra governos e empresas que se omitam no combate às mudanças climáticas.

Embora os Estados Unidos tenham se retirado do Acordo de Paris durante a gestão Trump, a jurisprudência internacional sugerida pelo parecer pode permitir que órgãos do governo americano ou corporações enfrentem processos tanto nos EUA quanto no exterior, por inércia ou negação da crise climática global.

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