Ana Toni alerta que evitar o tema pode atrasar a transição energética global; COP30 em Belém é vista como oportunidade estratégica
A CEO da COP30, Ana Toni, defende que os combustíveis fósseis não devem ser tratados como tabu nas negociações climáticas internacionais. Em entrevista ao portal JOTA, Toni destacou que fugir do tema pode comprometer a urgência necessária para uma transição energética justa e efetiva.
Segundo ela, após o acordo histórico da COP28, em Dubai, em 2023 — no qual países concordaram em “se afastar” dos combustíveis fósseis —, o debate esfriou. Na COP29, o tema foi praticamente ignorado, e pouco aparece nas agendas preparatórias para a COP30, que acontecerá em novembro de 2025, em Belém (PA).
“Temos que falar sobre isso com base na ciência”
Para Ana Toni, o Brasil pode exercer um papel de liderança ao propor um debate técnico e sereno sobre a substituição de fontes poluentes por alternativas limpas.
“Não pode ser tabu, porque sabemos que a transição é inevitável. O Brasil tem condições de trazer esse debate de forma calma e baseada em evidências científicas”, afirmou.
Ela também ressaltou a importância de incluir consumidores e setores produtivos no centro das discussões, e não apenas os grandes produtores de energia. A proposta é estabelecer critérios justos para que países de maior renda e histórica emissão liderem o processo de descarbonização.
A urgência da ação climática
O físico Paulo Artaxo, membro do IPCC e professor da USP, reforçou que o fim dos combustíveis fósseis é indispensável:
“Enquanto isso não for enfrentado, todas as medidas de mitigação serão apenas paliativas”, alertou à revista Veja.
O ex-vice-presidente dos EUA e Nobel da Paz, Al Gore, também defendeu que a COP30 seja centrada na redução da queima de combustíveis fósseis, reconhecendo o Brasil como exemplo global na transição energética. Em evento em São Paulo, Gore afirmou:
“Precisamos de todas as fontes, mas temos que acelerar a mudança. O Brasil já é um pioneiro nesse caminho.”
Governos locais devem participar das decisões
Outra voz de peso, o ex-governador da Califórnia e ator Arnold Schwarzenegger, defendeu mais protagonismo dos governos subnacionais nas conferências climáticas. Para ele, estados e municípios têm grande responsabilidade e capacidade de implementação de políticas ambientais.
“A COP deveria reservar um dia às lideranças estaduais e municipais. O poder está nos territórios”, declarou, segundo o Estadão.
Tanto Gore quanto Schwarzenegger foram convidados pelo governador do Pará, Helder Barbalho, para participarem da COP30 em Belém, reforçando o peso político e simbólico do evento para o Brasil e o mundo.


