Mesmo em meio às crescentes tensões geopolíticas e à ausência dos Estados Unidos na liderança ambiental, União Europeia e China emitiram uma declaração conjunta sobre o clima durante cúpula realizada em Pequim, celebrando os 50 anos de relações diplomáticas entre as partes.
O documento reforça o compromisso mútuo com o Acordo de Paris e destaca a parceria verde como elemento central da cooperação entre os dois blocos. As autoridades ressaltaram que, diante da instabilidade global, é fundamental manter políticas ambientais estáveis e ambiciosas.
“A cor verde define a cooperação entre China e UE”, diz o texto oficial, que também destaca a intenção de liderar uma transição ecológica global justa e focada no desenvolvimento sustentável.
Metas e compromissos firmados
A declaração conjunta lista uma série de ações coordenadas que União Europeia e China pretendem adotar:
- Reafirmação do papel central da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e do Acordo de Paris;
- Transformação de metas climáticas em políticas práticas e mensuráveis;
- Apoio direto ao Brasil na organização e condução da COP30, marcada para novembro, em Belém (PA);
- Expansão do uso de energias renováveis e incentivo ao acesso global a tecnologias verdes;
- Reforço à adaptação climática, promovendo ações de larga escala em diferentes níveis;
- Apresentação das novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) até a COP30, abrangendo todos os setores e gases de efeito estufa;
- Cooperação bilateral em áreas como mercados de carbono, transição energética, emissões de metano e tecnologias de baixo carbono.
Diplomacia climática sem os EUA
Apesar de não apresentar novos compromissos vinculantes, a declaração foi bem recebida por especialistas como sinal de que a cooperação internacional ainda é possível, mesmo diante da retirada dos Estados Unidos da diplomacia climática sob a gestão Donald Trump.
Segundo Andreas Sieber, da 350.org, o pacto oferece um “sinal oportuno de estabilização” em um cenário fragmentado. No entanto, ele adverte:
“A ambição atual ainda é muito baixa. A COP30 exige ações urgentes e não apenas declarações diplomáticas.”
Já David Waskow, do World Resources Institute, avaliou que a liderança climática de UE e China é crucial para reacender o impulso global:
“Com a meta de 1,5°C gravemente ameaçada, é fundamental que os novos compromissos climáticos de ambos estejam alinhados com as exigências científicas. Há uma oportunidade clara de liderar pelo exemplo.”


