Com a aproximação da COP30, que será realizada em Belém (PA) em novembro, o turismo sustentável ganha força no oeste do Pará. Um dos destinos mais procurados da região, Alter do Chão está investindo na capacitação de comunidades ribeirinhas para ampliar as experiências turísticas e valorizar a cultura local.
A partir de julho, pelo menos três novas comunidades estarão preparadas para receber pequenos grupos de visitantes: Maripá, às margens do rio Tapajós; Tucumã e Vila Gorete, às margens do rio Arapiuns. Essas localidades passam a integrar um circuito de turismo de base comunitária, com foco em vivências autênticas e contato direto com os modos de vida amazônicos.
Experiências que conectam natureza e cultura
As atividades oferecidas incluem:
- Trilhas ecológicas e banhos em igarapés
- Passeios de barco pelos rios Tapajós e Arapiuns
- Oficinas culturais de artesanato em palha e produção de farinha de mandioca
- Hospedagem em redários
- Gastronomia regional preparada pelos próprios moradores
Além de promover a economia local, a proposta visa proporcionar ao turista uma imersão respeitosa na cultura ribeirinha.
Parcerias fortalecem o ecoturismo regional
O projeto de capacitação é fruto de uma ação conjunta entre a Prefeitura de Santarém, agências de turismo e as próprias comunidades. Neste ano, 14 comunidades já receberam visitas técnicas e oficinas de orientação, incluindo cursos de culinária regional e gestão do turismo comunitário.
“A comunidade toma a iniciativa e a prefeitura entra com suporte técnico e qualificação”, explica o secretário de Turismo, Emanuel Leite da Silva.
Agentes de turismo, como a Anna Terra Expedições e a SerenaTur, têm contribuído com a criação de novos roteiros e até infraestrutura — como instalação de Wi-Fi via Starlink, para facilitar o contato com os visitantes.
“Boa parte dos turistas quer vivenciar o lado B de Alter do Chão”, destaca Anna Terra, especialista em roteiros de base comunitária.
Além da alta temporada: o potencial do “inverno amazônico”
Embora a maior parte das visitas ocorra entre agosto e janeiro, quando a seca revela praias fluviais, os operadores locais defendem o turismo durante o chamado inverno amazônico (fevereiro a julho), período de cheia dos rios.
“Nessa época, os passeios são únicos, como a navegação pela Floresta Encantada, inacessível na seca”, afirma Ana Torrellas Quintero, da Mãe Natureza Ecoturismo.
Com menos turistas, valores mais acessíveis e menor risco de acidentes com arraias, o período chuvoso revela uma versão tranquila e exuberante de Alter do Chão — ideal para quem busca experiências autênticas e contato mais próximo com a floresta.
Fonte: Folhapress


