O clima extremo já é o novo normal no Reino Unido. É o que mostra o mais recente Relatório sobre o Estado do Clima no Reino Unido, divulgado pelo Met Office. O estudo destaca que condições como ondas de calor, chuvas torrenciais e secas frequentes estão deixando de ser exceção e tornando-se parte da realidade climática do país.
Segundo o relatório, o Reino Unido registra um aquecimento de 0,25 °C por década, com os últimos três anos entre os cinco mais quentes desde 1884. A década mais recente (2015–2024) foi 1,24 °C mais quente que a média histórica de 1961 a 1990.
“Nosso clima está visivelmente diferente de algumas décadas atrás. A frequência com que batemos recordes de calor e chuva indica uma mudança consistente, não uma simples oscilação natural”, explicou Mike Kendon, cientista climático e autor principal do estudo.
Calor extremo e chuvas históricas
As análises mostram um crescimento expressivo de dias com calor extremo. Em comparação à média de 1961–1990:
- Dias com temperatura 5 °C acima da média dobraram;
- Dias com 8 °C acima da média triplicaram;
- Dias com mais de 10 °C acima quadruplicaram.
O clima de inverno também sofreu impactos. Entre outubro de 2023 e março de 2024, o país viveu o semestre de inverno mais chuvoso já registrado. Dos dez invernos mais úmidos da Inglaterra e do País de Gales, seis ocorreram desde o ano 2000.
As geadas também estão em declínio, com redução de cerca de 25% em comparação com os anos 1980. O nível do mar subiu 19,5 cm desde 1901, impulsionado pelo derretimento de geleiras e expansão térmica da água.
Impactos e riscos crescentes
“Eventos climáticos extremos estão se tornando mais frequentes e intensos. Precisamos adaptar nossa sociedade e infraestrutura rapidamente”, alertou Stephen Belcher, cientista-chefe do Met Office.
O relatório também adverte para riscos futuros: o mês de junho de 2025 já é um dos mais quentes da história, e partes do Reino Unido estão sob estado de seca. De acordo com a Avaliação Nacional de Risco de Inundação, uma em cada quatro propriedades na Inglaterra pode sofrer com enchentes até 2050.

Um chamado à ação
Para Liz Bentley, presidente-executiva da Royal Meteorological Society, o relatório vai além de uma simples compilação de dados. É um alerta.
“O documento mostra que não estamos mais falando de um futuro distante. As mudanças estão aqui, agora, e exigem ação imediata — por parte de governos, empresas e cidadãos.”


