Um projeto inovador da Universidade de Binghamton, nos Estados Unidos, está avançando no desenvolvimento de plástico biodegradável a partir de resíduos alimentares, oferecendo uma solução promissora para dois dos maiores problemas ambientais da atualidade: o desperdício de comida e a poluição por plásticos.
Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA, até 40% do suprimento de alimentos do país é desperdiçado todos os anos, representando bilhões de toneladas que apodrecem em aterros, gerando emissões de metano e gás carbônico. Paralelamente, o mundo enfrenta uma crescente crise causada pelo acúmulo de microplásticos em ecossistemas e até no corpo humano.
Da comida ao plástico: como funciona
Liderada pelo doutorando Tianzheng Liu, com apoio dos professores Sha Jin e Kaiming Ye, a equipe de engenharia biomédica da Binghamton utilizou resíduos alimentares fermentados como fonte de carbono para alimentar a bactéria Cupriavidus necator. Com adição de sulfato de amônio como fonte de nitrogênio, os microrganismos passaram a produzir poli-hidroxialcanoato (PHA) — um biopolímero natural que pode ser transformado em embalagens e produtos 100% biodegradáveis.
Cerca de 90% do PHA produzido pode ser colhido e moldado para uso industrial, com aplicações que vão desde sacolas até recipientes sustentáveis. O estudo foi publicado na revista científica Bioresource Technology e já desperta interesse de possíveis parceiros industriais.
Impacto ambiental e econômico
Ao contrário dos métodos convencionais de produção de bioplásticos — que exigem substratos caros como açúcares refinados —, a solução de Binghamton reduz drasticamente os custos, promovendo a economia circular e diminuindo a pegada de carbono do setor.
“Nosso objetivo é duplo: valorizar resíduos alimentares e baratear a produção de plásticos ecológicos”, explicou a professora Sha Jin. A pesquisa também abre portas para aplicações futuras, como a geração de biofertilizantes a partir dos resíduos sólidos restantes da fermentação.
Robustez e viabilidade industrial
Entre os destaques do estudo está a constatação de que os resíduos alimentares podem ser armazenados por até uma semana sem prejudicar o processo de conversão, o que permite maior flexibilidade para coletas em escala industrial. Outro ponto positivo foi a comprovação de que misturas alimentares variadas funcionam bem, desde que em proporções equilibradas e sob controle de temperatura e pH.
Com apoio dos serviços de alimentação da universidade e da empresa Sodexo, a equipe realizou os testes com sobras reais de alimentos usados nos refeitórios do campus. Agora, os pesquisadores buscam parcerias e financiamento para escalar o processo e viabilizar a produção em larga escala.
“É um caminho promissor para enfrentar o desperdício e repensar como os resíduos podem se tornar recursos industriais”, conclui Jin.
Fonte: Universidade de Binghamton


