Temperaturas acima dos 46°C, noites sem resfriamento e calor marítimo no Mediterrâneo ampliam riscos à saúde e aos ecossistemas. Aquecimento global acelera na região.
O mês de junho de 2025 foi o mais quente já registrado na Europa Ocidental, confirmou o Serviço de Mudança Climática Copernicus, da União Europeia. Com ondas de calor consecutivas, temperaturas extremas e recordes em países como Portugal e Espanha, o mês acendeu alertas de saúde pública e reforçou as evidências do avanço das mudanças climáticas.
Em escala global, junho de 2025 foi o terceiro mais quente da história, atrás apenas de 2024 e 2023 — mantendo a tendência de alta contínua nas temperaturas médias do planeta, impulsionada por emissões de gases de efeito estufa.
Aquecimento acelerado e temperaturas inéditas
Segundo o Copernicus, a Europa aquece de duas a três vezes mais rápido do que a média global. Durante junho, milhões de europeus enfrentaram níveis inéditos de estresse térmico, com temperaturas médias anormalmente elevadas no início do verão.
Na Península Ibérica, os termômetros chegaram a 46°C em várias regiões, enquanto Lisboa registrou sensação térmica de 48°C, superando a média histórica em 7°C — patamar classificado como “estresse extremo”.
No Mar Mediterrâneo, a situação também foi crítica. No final de junho, a temperatura da água atingiu 27°C, cerca de 5°C acima do normal para o período. O calor marítimo intensificou a umidade do ar, dificultou o resfriamento noturno em áreas costeiras e impactou ecossistemas marinhos sensíveis.
Estudo aponta mais de 2.300 mortes em 10 dias
Um estudo publicado recentemente por pesquisadores do Imperial College London e da London School of Hygiene and Tropical Medicine estima que 2.300 pessoas morreram durante a onda de calor que atingiu a Europa Ocidental no fim de junho.
A pesquisa analisou dados de 12 grandes cidades, entre elas Madri, Barcelona e Londres, durante um período de 10 dias com temperaturas acima dos 40°C. O levantamento utilizou modelos epidemiológicos para estimar as mortes, já que muitos países não registram oficialmente óbitos por calor extremo.
Do total estimado, 1.500 mortes foram atribuídas diretamente à intensificação do calor pelas mudanças climáticas. Os cientistas alertam para o impacto crescente das ondas de calor sobre a saúde pública, especialmente em áreas urbanas densas e vulneráveis, onde o efeito “ilhas de calor” agrava o cenário.
Crise climática global: impactos não se restringem à Europa
Para especialistas, os recordes de temperatura registrados em 2025 não são casos isolados. Em declaração à Rádio Eldorado, o coordenador do Observatório do Clima, Marcio Astrini, chamou atenção para os riscos globais.
“O que estamos vendo é um quadro muito preocupante. Esses eventos extremos não ficam restritos à Europa ou à Ásia. Esse mesmo calor vai chegar ao Brasil, e isso significa risco para Amazônia, Cerrado e Pantanal”, afirmou.
O alerta ecoa preocupações de cientistas e organizações internacionais: sem cortes drásticos nas emissões de gases de efeito estufa, o mundo continuará enfrentando eventos climáticos extremos com consequências catastróficas para a saúde, a biodiversidade e a segurança hídrica.


