Foto: Ivan Souza
Foto: Ivan Souza

Frio do Caparaó não desanima turistas a fazerem a subida ao Pico da Bandeira

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Temperaturas negativas e muita gente a procura de aventura. A alta temporada de inverno na região do Caparaó tem literalmente feito as águas congelarem, mas os visitantes estão em busca dessa sensação, principalmente para encarar os 2.891 m de altitude. Os termômetros já marcaram até -8° C no alto da montanha, no Terreirão e na Casa Queimada, pontos de apoio para os visitantes, não é diferente, ao ponto de acessórios congelarem. A subida ao Pico da Bandeira é um passeio tradicional há décadas, os turistas podem entrar no Parque Nacional do Caparaó tanto pela portaria mineira, como também, pela capixaba.

Com 17 anos de experiência no Parque Nacional do Caparaó, o guia Ivan Souza acompanha quase que todos os dias os turistas na região em busca do Caparaó, o movimento está maior e o frio pode ser o principal motivo. “Todo ano a gente registra bastante gelo. Quanto mais frio, mais gosto de estar lá, de ver e registrar. Acho um fenômeno lindo da natureza, e poder compartilhar isso com os outros é gratificante”, afirma o guia.

O que mudou agora é que a informação chega mais rápido por meio das redes sociais, muitas plataformas divulgam os atrativos e nas últimas semanas, as imagens de mesas cobertas por gelo, nascentes congelando e muito gelo, ganhou likes nas redes. ” no passado, as histórias sobre o frio intenso circulavam apenas entre moradores da região. “O pessoal falava que a água congelava, que tudo ficava coberto de gelo. Hoje, com o celular, a gente consegue mostrar tudo ao vivo. É muito legal ver esse encantamento com o Caparaó”, explica Ivan.

Caparaó tem outros atrativos

Quem não tem tanto espírito de aventura, vem para região nesta época do ano para sentir as baixas temperaturas. Pousadas, hóteis, retaurante e cafeterias em Pedra Menina, abrem um leque de opções para os visitantes, de um tempo pra cá chegam na região para conhecer outros atrativos, além do Pico da Bandeira.

“Temos recebido visitantes que não é só para subir o Pico da Bandeira. Até 2018, o movimento era mais para o Pico da Bandeira, as pessoas vinham especificamente só para a subida. Hoje, o distrito de Pedra Menina concentra um trade turístico bem legal, com várias pousadas, restaurantes, cafeterias, cervejarias, entre outros empreendimentos. As pessoas querem descobrir o Caparaó”, explica o guia turistico, Jorge Adriano.

Os roteiros também se enquadram no estilo do visitantes, existem passeios só para as cachoeiras, a subida tradicional ao Pico por um lado só, tem também a travessia que entre por uma portaria e desce pela outra. Os roteiros não se concentram só dentro do PARNA, mas também no entorno dele. A região é tão preservada, que paisagens novas brotam a todo instante.
“Temos tido um grande apoio do Sebrae aqui, com várias capacitações para que possamos ainda mais melhorar nossos serviços. A região vem se preparando há muito tempo para esse crescimento”, conclui Jorge.

Passeio seguro precisa ter guiamento no Caparaó

Turismo de aventura não é brincadeira, exatamente por isso, que o visitante precisa contratar serviços de guiamento quando pretende explorar alguns destinos. Um guia qualificado na trilha é uma proteção a mais, além disso, quando contrata o serviço, a empresa que disponibiliza o atendimento, informa aos clientes desde a maneira de se comportar até o tipo de roupa que é preciso vestir para a trilha.

Dalva Ringuier, especialista em turismo e proprietária de pousada em Mundo Novo, distrito de Dores do Rio Preto, faz um alerta importante sobre a crescente visitação ao Caparaó Capixaba, especialmente durante o inverno, quando as temperaturas mais baixas atraem turistas de várias regiões.

” Os visitantes ignoram os riscos da natureza. O Caparaó é uma área de preservação, por isso, é preciso cuidado e, muitas vezes, o acompanhamento de guias capacitados. Existem trilhas perigosas, como a do Poço das Antas, onde já encontrei cobras venenosas. Quem não conhece pode se acidentar gravemente. O que já aconteceu na região”, afirma Dalva.

Além dos riscos com a fauna, Dalva lembra que o preparo físico dos turistas também precisa ser considerado, principalmente para quem pretende subir o Pico da Bandeira. “Não é só chegar e subir. Quem vem precisa estar consciente dos desafios e vir com responsabilidade. É uma experiência única, sim, mas que exige respeito ao ambiente e aos próprios limites”, garante a especialista.

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