Lava sai de Sundhnukagigar, uma fissura vulcânica ativa perto da cidade de Grindavik, na Islândia, em 14 de janeiro de 2024. (Crédito da imagem: Iceland Public Defence / Handout/Anadolu/Getty Images)
Lava sai de Sundhnukagigar, uma fissura vulcânica ativa perto da cidade de Grindavik, na Islândia, em 14 de janeiro de 2024. (Crédito da imagem: Iceland Public Defence / Handout/Anadolu/Getty Images)

Estudo revela que derretimento de geleiras pode despertar vulcões adormecidos

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Um novo estudo apresentado na Conferência Goldschmidt, em Praga, alerta para um risco geológico crescente: o derretimento de geleiras pode ativar vulcões subglaciais adormecidos, tornando erupções explosivas mais frequentes em regiões como os Andes, a Antártida e partes da América do Norte.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Wisconsin-Madison (EUA), examinou seis vulcões no sul do Chile, entre eles o adormecido Mocho-Choshuenco, para entender como a retração das geleiras afeta o comportamento magmático subterrâneo. O trabalho contou com a colaboração de pesquisadores das universidades Lehigh, UCLA e Dickinson College.

Pressão do gelo suprime vulcanismo — até que ele derreta

Os pesquisadores usaram datação por argônio e análise de cristais vulcânicos para rastrear erupções anteriores. Descobriram que, durante o auge da última era glacial (cerca de 26.000 a 18.000 anos atrás), a espessa camada de gelo sobre os vulcões suprimia a atividade eruptiva, permitindo o acúmulo de grandes reservatórios de magma rico em sílica a até 15 km de profundidade.

Com o derretimento rápido dessas geleiras no final da era glacial, a perda súbita de pressão sobre a crosta terrestre permitiu a expansão de gases no magma, desencadeando erupções violentas. O mesmo padrão pode se repetir agora, diante da aceleração das mudanças climáticas.

“À medida que as geleiras recuam, nossos dados mostram que os vulcões passam a erupcionar com mais frequência e de forma mais explosiva”, explica Pablo Moreno-Yaeger, principal autor do estudo.

Um ciclo perigoso de retroalimentação climática

Além do risco geológico, o estudo destaca os impactos climáticos globais dessas erupções. Embora possam inicialmente resfriar o planeta ao liberar aerossóis que bloqueiam parte da radiação solar (como ocorreu após a erupção do Monte Pinatubo, em 1991), várias erupções sucessivas aumentam a liberação de gases de efeito estufa, contribuindo para um aquecimento ainda maior.

“Isso cria um ciclo de feedback perigoso: o gelo derrete, os vulcões entram em erupção, e essas erupções liberam mais CO₂ e metano, agravando o aquecimento e provocando ainda mais derretimento glacial”, afirma Moreno-Yaeger.

Alerta para outras regiões e importância do monitoramento

Embora o fenômeno seja bem documentado na Islândia, este é um dos primeiros estudos a comprová-lo em vulcões continentais, sugerindo que outras áreas como a Antártida, Nova Zelândia, Rússia e América do Norte podem estar sob risco semelhante.

O processo de ativação vulcânica é gradual e ocorre ao longo de séculos, o que dá tempo para monitoramento preventivo e alertas precoces. Ainda assim, os cientistas reforçam a urgência de observar regiões glaciares com vulcões potencialmente ativos.

A pesquisa foi financiada pela National Science Foundation (NSF) e deve ser publicada em breve em periódico científico revisado por pares.

Fonte: Associação Europeia de Geoquímica

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