© Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
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Negociações em Bonn avançam, mas revelam desafios para a COP30 em Belém

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A 62ª sessão dos Órgãos Subsidiários da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas (SB 62), realizada em Bonn, na Alemanha, encerrou na quinta-feira (26) com avanços relevantes em temas centrais para a agenda climática, segundo a delegação brasileira. No entanto, o ambiente de negociações foi considerado tenso, o que pode trazer obstáculos para a COP30, marcada para novembro em Belém (PA).

Durante os dez dias de debates, houve progresso em 49 dos itens da agenda, com destaque para os temas de transição justa, balanço global (GST) e adaptação climática. A diretora executiva da COP30, Ana Toni, e a negociadora-chefe brasileira, embaixadora Liliam Chagas, apresentaram um balanço positivo das discussões.

“A proposta da Agenda de Ação da COP30 foi bem recebida por governos, empresas, povos indígenas e sociedade civil. A ideia de acelerar ressoou amplamente”, afirmou Toni.

Adaptação: progresso modesto e preocupações sociais

A Meta Global de Adaptação (GGA) avançou na definição de parâmetros para monitoramento das ações, reduzindo os 490 temas identificados a 100 indicadores principais. Representantes da sociedade civil, no entanto, consideraram o avanço lento diante do agravamento dos eventos extremos, como enchentes e secas.

Flávia Martinelli, do WWF-Brasil, alertou: “Esses indicadores são essenciais para medir o progresso em adaptação. O ritmo atual não corresponde à urgência das crises climáticas que enfrentamos.”

Transição Justa: divergências dificultam consenso

Outro ponto crítico foi o Programa de Trabalho sobre Transição Justa, com negociações organizadas em sete eixos. Três deles apresentaram impasses: transição energética, medidas unilaterais e criação de um órgão institucional de apoio.

A falta de consenso impediu a elaboração de um texto final. Temas sensíveis, como a retirada de referências à transição para longe dos combustíveis fósseis — já acordada na COP28 —, geraram discordâncias entre países.

Financiamento: proposta entre Bonn e Belém

Apesar de não estar entre os temas centrais da SB 62, o financiamento climático ganhou espaço em agendas paralelas. Um dos destaques foi a apresentação do “Roadmap de Baku a Belém”, que propõe mobilizar US$ 1,3 trilhão em fluxos financeiros globais até a COP30.

A proposta aponta caminhos como reformas em instituições financeiras multilaterais, ampliação de ferramentas de financiamento e melhorias no acesso aos recursos por países em desenvolvimento.

Segundo Ana Toni, “esses debates não são formais ainda, mas certamente farão parte da pauta central em Belém”.

Fonte: Agência Brasil

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