Foto: Mudanças Climáticas da ONU - (Lara Murillo)
Foto: Mudanças Climáticas da ONU - (Lara Murillo)

Brasil apresenta plano para viabilizar US$ 1,3 trilhão anuais em financiamento climático até a COP30

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Rumo à COP30: Brasil lança plano ambicioso para financiamento climático global

Durante as negociações climáticas da ONU em Bonn, Alemanha, o Brasil apresentou um plano estratégico para mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais em financiamento climático para países em desenvolvimento até 2035. Intitulado “Roadmap de Baku a Belém”, o documento foi anunciado pela embaixadora Tatiana Rosito, do Ministério da Fazenda, e tem como meta conectar as decisões da COP29 às ações concretas da COP30, que acontecerá em novembro, em Belém (PA).

“Este roteiro é um espaço para construir caminhos que mobilizem recursos em escala sem precedentes”, afirmou Rosito, representando o ministro Fernando Haddad, presidente do Círculo de Ministros de Finanças da COP30.

Um plano para transformar promessas em ação

O plano brasileiro propõe:

  • Expansão de subsídios e instrumentos não baseados em dívida
  • Simplificação do acesso a fundos climáticos para países vulneráveis
  • Fortalecimento de regras sobre financiamento, incluindo precificação de carbono e relatórios climáticos corporativos
  • Criação de plataformas nacionais que conectem projetos locais a investidores internacionais

O secretário-executivo da ONU para o Clima, Simon Stiell, reforçou que o sucesso desse plano será um teste de credibilidade para a comunidade internacional.

Financiamento climático: desafios e oportunidades

A proposta brasileira surge como resposta à discrepância entre o valor que os países desenvolvidos propõem mobilizar (US$ 300 bilhões) e o valor defendido pelos países em desenvolvimento, que varia entre US$ 1 trilhão e US$ 1,3 trilhão.

Além disso, o Brasil defende financiamento a fundo perdido para ações de adaptação e perdas e danos, além da reforma dos bancos multilaterais, como Banco Mundial e FMI, para ampliar a capacidade de empréstimo e investimento climático.

“Talvez não tenhamos visto uma oportunidade como esta nos últimos 200 anos”, avaliou Rosito.

Resistências e tensões internacionais

Apesar da boa recepção ao plano, os EUA têm demonstrado resistência. O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, sugeriu que o Banco Mundial priorize tecnologias “confiáveis”, incluindo gás natural, em vez de se prender a “metas distorcidas de financiamento climático”.

O plano final deve ser apresentado na reunião anual do FMI, em outubro, tornando-se um dos principais marcos preparatórios para a COP30.

Bastidores e preparativos para a COP30

O Instituto Talanoa revelou um mapeamento inédito da estrutura de organização da COP30, evidenciando a forte presença de representantes da Amazônia e de setores sociais, indígenas e religiosos.

O setor hoteleiro de Belém enfrenta críticas após denúncias de aumentos abusivos nos preços durante o evento. A Secretaria Nacional do Consumidor notificou hotéis, mas entidades locais acusam o governo de “ingerência indevida”.

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