Vulcão “furtivo” no Alasca pode ajudar a prever erupções sem sinais
Nem todos os vulcões avisam quando estão prestes a entrar em erupção. Alguns permanecem aparentemente calmos até que, de forma repentina, expelam cinzas e lava — colocando vidas em risco. Esses são os chamados vulcões furtivos, como o Veniaminof, localizado no remoto Arco das Aleutas, no Alasca. Agora, um estudo publicado na revista Frontiers in Earth Science oferece pistas importantes sobre por que isso acontece — e como prever essas erupções silenciosas.
O desafio dos vulcões sem alerta
Tradicionalmente, sinais como deformação do solo e atividade sísmica servem como indicadores de que um vulcão está ativo e se preparando para uma erupção. Esses sinais resultam da movimentação de magma e gases subterrâneos, que empurram e estressam as rochas ao redor. No entanto, nem todos os vulcões seguem esse padrão.
Segundo o pesquisador Yuyu Li, da Universidade de Illinois, muitos vulcões ao redor do mundo — como o Popocatépetl (México), o Merapi (Indonésia) e o Stromboli (Itália) — já demonstraram comportamentos furtivos, com pouca ou nenhuma indicação antes da atividade eruptiva.
O caso do Veniaminof: um vulcão monitorado, mas imprevisível
Apesar de estar sob constante vigilância, apenas duas das 13 erupções do Veniaminof desde 1993 deram sinais suficientes para alertas prévios. Uma dessas erupções, em 2021, só foi identificada três dias após seu início.
A equipe de Li analisou dados de monitoramento de três verões consecutivos antes da erupção de 2018 e criou modelos computacionais avançados para simular diferentes condições subterrâneas no vulcão. A intenção era entender quais fatores poderiam levar a uma erupção sem alertas.
Modelando um vulcão furtivo
Os cientistas testaram diversos cenários, variando o tamanho da câmara de magma, o formato, a profundidade e a velocidade com que o magma se acumulava. O resultado foi revelador: erupções furtivas tendem a ocorrer quando o fluxo de magma é lento e a câmara magmática é pequena e quente.
Nessas condições, o magma se acumula de maneira sutil, sem causar abalos sísmicos ou deformações visíveis no solo. Isso impede que os sistemas tradicionais de alerta detectem a aproximação de uma erupção.
Além disso, o estudo mostrou que a temperatura da rocha ao redor da câmara de magma desempenha um papel essencial. Quando essa rocha já está aquecida por atividade anterior, ela não se rompe ou se deforma com facilidade, reduzindo ainda mais a chance de sinais detectáveis.
O que pode ser feito?
Para lidar com essa ameaça silenciosa, os pesquisadores defendem o uso de tecnologias mais sensíveis e integradas. Entre as soluções sugeridas estão:
- Sensores de fibra óptica e medidores de inclinação
- Monitoramento de infrassom
- Análise de emissões gasosas
- Modelagem em tempo real com uso de inteligência artificial
Além disso, aumentar a cobertura de monitoramento por satélite, como já ocorre no Alasca, pode ser crucial para detectar pequenas alterações térmicas ou emissões que precedem uma erupção.
Um novo caminho para a previsão de erupções
Com base no estudo, os cientistas agora sabem quais características observar com mais atenção: vulcões com reservatórios pequenos, profundos e quentes, além de fluxos de magma lentos, devem ser monitorados com métodos mais precisos e contínuos.
“Essa abordagem pode permitir respostas mais rápidas e eficazes para proteger comunidades próximas”, disse Li. “À medida que modelos computacionais forem integrados ao monitoramento em tempo real, poderemos melhorar significativamente a previsão de erupções silenciosas.”
Fonte: frontiersin.org


