A bióloga brasileira, Janaína Bumbeer, apresentou o trabalho da Fundação Grupo Boticário na 3ª Conferências dos Oceanos da ONU, em França / Janína Bumbeer/Arquivo pessoal
A bióloga brasileira, Janaína Bumbeer, apresentou o trabalho da Fundação Grupo Boticário na 3ª Conferências dos Oceanos da ONU, em França / Janína Bumbeer/Arquivo pessoal

Soluções baseadas na natureza são caminho para salvar os oceanos, afirma especialista na UNOC3

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Na 3ª Conferência da ONU sobre os Oceanos, em Nice, bióloga da Fundação Grupo Boticário defende maior financiamento climático e ações urgentes para proteger a vida marinha e as cidades costeiras

Durante a 3ª Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos (UNOC3), realizada entre os dias 9 e 13 de junho em Nice, na França, a bióloga e doutora em Ciências Marinhas Janaína Bumbeer, gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário, fez um alerta: “O oceano está doente. Precisamos agir agora”.

Representando a sociedade civil brasileira na Década do Oceano da ONU (2021–2030), a especialista destacou como soluções baseadas na natureza — como a proteção e a restauração de recifes de corais — são estratégias eficazes para enfrentar os impactos das mudanças climáticas, proteger cidades costeiras e fomentar a economia azul no Brasil.

Recifes de corais evitam prejuízos de R$ 160 bilhões no Brasil

Um dos dados mais impactantes apresentados por Janaína diz respeito ao papel dos recifes de coral na proteção do litoral brasileiro. De acordo com estudos apoiados pela Fundação, a presença desses ecossistemas evita até R$ 160 bilhões em danos causados por desastres naturais, como inundações e erosões.

Além disso, os recifes impulsionam o turismo sustentável, contribuem para a pesca e fornecem inúmeros serviços ecossistêmicos essenciais. “Proteger os corais é proteger a nossa costa e a nossa economia”, enfatizou.

Peixes nadam ao redor de um recife de coral no Mar Vermelho, na costa do Egito / Coral Reef Image Bank/Alexander

Fundação apoia mais de 300 projetos de proteção costeira

Com 35 anos de atuação, a Fundação Grupo Boticário já apoiou mais de 300 projetos voltados à saúde dos oceanos e à proteção costeira no Brasil, envolvendo mais de 170 instituições parceiras.

Nos últimos anos, a organização também investiu em modelos de cofinanciamento para ampliar os recursos de projetos ambientais. Um exemplo foi o apoio a iniciativas no Rio Grande do Sul, onde um investimento de R$ 1,5 milhão alavancou outros R$ 9 milhões em aportes de instituições parceiras para ações em áreas afetadas por eventos climáticos extremos.

Poluição plástica e a responsabilidade de todos

Janaína também abordou a crise global da poluição marinha por plásticos, com destaque para a situação brasileira. Segundo dados apresentados por ela, cada brasileiro gera até 16 kg de plástico por ano, o que coloca o Brasil entre os 20 países mais poluidores.

Para enfrentar esse desafio, a Fundação lança editais voltados a soluções inovadoras de combate ao lixo no mar, promovendo ações que aliam ciência, empreendedorismo e conservação.

Um saco de plástico flutua perto de um cardume de peixes perto de Bali, na Indonésia / Unsplash/Naja Bertolt Jensen

COP30 será oportunidade de fortalecer a agenda oceânica no Brasil

A gerente da Fundação reforçou a importância da COP30, que ocorrerá em novembro de 2025 em Belém (PA), como um momento-chave para integrar o oceano nas discussões climáticas. Ela defendeu o aumento do financiamento climático, especialmente voltado à adaptação, e reforçou que a responsabilidade não é apenas do governo, mas também do setor privado e da sociedade.

“Somos a geração que pode fazer a diferença. O oceano precisa de nós agora, não na próxima conferência”, concluiu.

Cultura oceânica e economia azul

Outro ponto importante levantado por Janaína foi a necessidade de fomentar a cultura oceânica entre os brasileiros. Pesquisa da Fundação mostrou que 86% da população nunca ouviu falar sobre economia azul, conceito que valoriza o uso sustentável dos recursos marinhos para desenvolvimento econômico.

A promoção da educação ambiental, políticas públicas e envolvimento da sociedade civil é, segundo a especialista, o caminho para mudar essa realidade.

Assista a entrevista feita pela ONU News com a especialista:

Fonte: ONU News

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