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Energia nuclear: como funciona e por que o Reino Unido está apostando alto nessa fonte

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Governo britânico lança maior programa nuclear em décadas com foco em segurança energética e metas climáticas

O Reino Unido acaba de lançar seu maior plano de expansão da energia nuclear em uma geração, incluindo um aporte de £14,2 bilhões para a construção da usina Sizewell C, em Suffolk. O anúncio faz parte de uma estratégia para diversificar a matriz energética, reduzir emissões e garantir segurança no fornecimento de eletricidade até 2050.

Além disso, o governo confirmou que a Rolls-Royce liderará a implantação dos primeiros pequenos reatores modulares (SMRs, na sigla em inglês) do país, com previsão de operação a partir de meados da década de 2030.

Como funciona a energia nuclear?

A geração de energia nuclear ocorre por meio da fissão nuclear, processo em que átomos de urânio são bombardeados por nêutrons, provocando sua divisão e liberando grandes quantidades de calor. Esse calor aquece a água, produzindo vapor que movimenta turbinas geradoras de eletricidade.

Por que o Reino Unido está investindo mais?

O país é signatário de um compromisso global para triplicar sua capacidade nuclear até 2050, como parte dos esforços para conter as mudanças climáticas. Embora as usinas nucleares utilizem recursos não renováveis, sua operação emite quantidades mínimas de gases do efeito estufa, como dióxido de carbono ou metano.

As usinas existentes — nove no total — fornecem cerca de 14% da eletricidade nacional, mas oito delas devem ser desativadas até o fim da década. Isso torna essencial a construção de novas unidades para manter a segurança energética.

Sizewell C: promessa de energia para 6 milhões de lares

A usina Sizewell C, construída pela francesa EDF, deverá operar por 60 anos e terá capacidade para abastecer cerca de 6 milhões de residências. Localizada ao lado da Sizewell B (ativa desde 1995), a nova usina deve gerar 10 mil empregos diretos na fase de construção, além de milhares em cadeias produtivas associadas.

O investimento inicial cobre os próximos quatro anos, mas o custo total estimado pode chegar a £20 bilhões, com conclusão prevista para a próxima década.

SMRs: pequenos reatores, grande potencial

Os Pequenos Reatores Modulares são uma alternativa mais ágil e flexível às usinas tradicionais. Com capacidade para até um terço da geração de um reator convencional, os SMRs podem ser produzidos em série e montados no local, reduzindo custos e prazos de implantação.

A Rolls-Royce foi selecionada para liderar o programa, que prevê investimentos superiores a £2,5 bilhões. A expectativa é gerar até 3 mil empregos e atender ao consumo de energia de cerca de 3 milhões de casas.

As primeiras instalações devem ser anunciadas até o fim de 2025, excluindo áreas de risco ambiental ou próximas a infraestruturas sensíveis.

E os riscos?

Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, as usinas nucleares são consideradas entre as instalações mais seguras do mundo, operando sob rigorosos protocolos internacionais. Ainda assim, o histórico inclui acidentes marcantes como Chernobyl (1986) e Fukushima (2011).

Outro desafio é o armazenamento seguro de resíduos radioativos, que permanecem perigosos por séculos. O Reino Unido centraliza esse processamento em Sellafield, mas a instalação já enfrenta pressões por espaço e custos crescentes.

Energia nuclear e o futuro do clima

Embora as novas instalações nucleares, como Sizewell C e os SMRs, não entrem em operação a tempo de cumprir as metas de 2030, elas são vistas como peças-chave para atingir a neutralidade de carbono até 2050.

Combinada a fontes renováveis, a energia nuclear deve atuar como base estável para um sistema elétrico cada vez mais limpo e resiliente.

Fonte: BBC News

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