A Pirâmide de Miquerinos, a menor das três pirâmides do Planalto de Gizé, Cairo
( crédito da foto : YASEMIN OZDEMIR. Via Shutterstock )
A Pirâmide de Miquerinos, a menor das três pirâmides do Planalto de Gizé, Cairo ( crédito da foto : YASEMIN OZDEMIR. Via Shutterstock )

Nova varredura sugere segunda cidade subterrânea sob pirâmides de Gizé

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Pesquisadores europeus alegam ter detectado estruturas profundas sob a pirâmide de Miquerinos; arqueólogos egípcios rebatem com ceticismo e pedem mais evidências

Uma nova análise com radar de penetração no solo voltou a acirrar os debates sobre os mistérios do planalto de Gizé, no Egito. Após afirmarem em março a existência de grandes estruturas subterrâneas sob a pirâmide de Quéfren, uma equipe ítalo-escocesa agora aponta a detecção de câmaras e túneis sob a vizinha pirâmide de Miquerinos, sugerindo que ambas estariam conectadas por uma vasta rede subterrânea.

De acordo com o especialista em radar Filippo Biondi, da Universidade de Strathclyde, na Escócia, os dados mais recentes indicam uma “probabilidade de 90%” de que as formações sob Miquerinos compartilhem características estruturais com aquelas supostamente identificadas sob Quéfren. “As pirâmides são apenas a ponta do iceberg”, declarou Biondi ao Daily Mail.

Imagens divulgadas pela equipe mostram o que seriam formações espiraladas ao redor de grandes cavidades em forma de pilar, localizadas até 600 metros abaixo da superfície do deserto. A hipótese é de que as três pirâmides possam ter sido erguidas sobre um complexo subterrâneo unificado e de grande escala.

Controvérsias e críticas da arqueologia tradicional

Apesar da repercussão, a proposta enfrentou resistência imediata da comunidade científica egípcia. O renomado egiptólogo e ex-ministro de Antiguidades do Egito, Dr. Zahi Hawass, classificou os achados como “impossíveis”, reforçando que radares não alcançam profundidades tão grandes e que os autores do estudo ainda não publicaram os dados em revistas científicas revisadas por pares.

Em declarações anteriores, Hawass chamou a primeira alegação do grupo, feita em março, de “besteira” e reafirmou que nenhuma escavação oficial ou achado arqueológico sustentaria a hipótese de uma cidade subterrânea sob Quéfren.

A equipe de Biondi também está associada a estudos controversos que sugerem que o platô de Gizé foi submerso por um grande dilúvio há mais de 12 mil anos, o que, segundo eles, explicaria marcas de erosão hídrica e a presença de sal em blocos próximos à Grande Pirâmide.

Teorias alternativas e linhas do tempo divergentes

Pesquisadores como o geólogo James Kennett (UCSB) e o autor independente Andrew Collins reforçam a ideia de um evento cataclísmico por volta de 12.800 a.C., possivelmente causado por um impacto de cometa, como evidenciado por detritos encontrados em Abu Hureyra, na Síria. Collins também cita textos do Templo de Edfu, que mencionariam um “dilúvio primordial” e a destruição de uma civilização ancestral.

No entanto, arqueólogos tradicionais argumentam que tais textos são simbólicos, não se referem a eventos históricos reais e que a teoria carece de base empírica.

Expectativa por dados completos e testes de campo

A equipe ítalo-escocesa promete divulgar os dados de tomografia nos próximos meses e afirma estar negociando com autoridades egípcias a autorização para perfuração sob a pirâmide de Miquerinos.

Enquanto isso, as alegações continuam gerando polêmica e interesse mundial, mantendo viva a pergunta: o que, de fato, pode estar escondido sob as pirâmides de Gizé?

Fonte: The Jerusalem Post

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