Na abertura da 3ª Conferência da ONU sobre os Oceanos, secretário-geral alerta para o colapso marinho; Lula e Macron destacam urgência climática e defendem gestão sustentável dos mares
Diante de um cenário alarmante de colapso ambiental, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, fez um apelo direto e contundente na 3ª Conferência da ONU sobre os Oceanos (UNOC3), que teve início nesta segunda-feira (09) em Nice, na França: “os oceanos estão sendo saqueados e precisam de proteção urgente”.
A cúpula internacional, que reúne representantes de mais de 120 países, ocorre em um momento estratégico para o Brasil, que sediará a COP30 em novembro, na cidade de Belém (PA). O evento marca um esforço diplomático global para frear a destruição dos ecossistemas marinhos e conectar oceanos, clima e biodiversidade de forma integrada.
“Da exploração ao cuidado”
Em seu discurso de abertura, Guterres apontou para os impactos visíveis do descaso ambiental: recifes de corais morrendo, estoques pesqueiros em colapso e o aumento do nível do mar ameaçando a sobrevivência de ilhas e zonas costeiras. Para o chefe da ONU, é hora de “abandonar a exploração de curto prazo e adotar uma gestão responsável de longo prazo”.
Entre os presentes, estavam mais de 50 chefes de Estado e de governo, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defendeu uma moratória contra a mineração submarina em águas internacionais. Segundo Lula, é preciso evitar que os mares se tornem palco de “disputas geopolíticas predatórias” por recursos minerais.
O presidente brasileiro ainda anunciou que o país ratificará, até o fim de 2025, o Tratado de Alto Mar, acordo internacional que visa proteger ecossistemas marinhos em áreas fora da jurisdição nacional.

Nice e Belém: uma conexão estratégica
Lula aproveitou o momento para reforçar a importância da COP30, que será realizada no coração da Amazônia. “Quem defende a floresta precisa ir até ela”, afirmou o presidente, ressaltando que a defesa da Amazônia e dos oceanos está interligada. Ele lembrou que o Brasil possui 5,7 milhões de km² de área marítima, comparável à própria floresta amazônica.
Ainda segundo Lula, o país está finalizando uma estratégia nacional contra a poluição plástica nos oceanos, que será apresentada como parte da contribuição brasileira à conferência climática.

“O oceano está fervendo”
Durante a abertura do evento, o presidente francês Emmanuel Macron, coanfitrião da conferência ao lado da Costa Rica, declarou: “Se a Terra está aquecendo, o oceano está fervendo”, em referência ao papel dos mares na absorção de 90% do calor provocado pelas emissões de gases de efeito estufa.
Já o presidente costarriquenho, Rodrigo Chaves Robles, foi direto: “Os oceanos viraram depósitos de lixo global”. Ele defendeu uma moratória global à mineração em alto-mar, posição já apoiada por 33 países, até que haja garantias científicas sobre os impactos dessa atividade.
Tratado de Alto Mar e finanças azuis
Entre os objetivos da UNOC3 estão:
- viabilizar a entrada em vigor do Tratado de Alto Mar (que precisa de 60 ratificações para se tornar lei internacional vinculante);
- promover a pesca sustentável;
- incentivar a descarbonização do transporte marítimo;
- e impulsionar as chamadas finanças azuis, como títulos oceânicos e trocas de dívida por conservação, voltadas a países costeiros vulneráveis.
Fonte: ONU


