© Fernando Frazão/Agência Brasil
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Unesco reconhece Biofábrica de Corais como referência global na recuperação de recifes em Pernambuco

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Iniciativa em Porto de Galinhas resiste ao branqueamento e ganha destaque internacional

A Biofábrica de Corais, iniciativa sediada em Porto de Galinhas (PE), foi reconhecida oficialmente pela Unesco como um projeto de referência internacional dentro da Década do Oceano. A honraria destaca o impacto e a relevância do trabalho desenvolvido na recuperação de recifes de coral atingidos pelo branqueamento em massa registrado entre 2023 e 2024.

Branqueamento atinge 84% dos recifes globais

A elevação das temperaturas oceânicas durante esse período provocou uma onda global de branqueamento de corais. Estima-se que 84% dos recifes coralinos do planeta tenham sido afetados pela perda da simbiose com as zooxantelas, algas que fornecem nutrientes vitais aos corais. No Brasil, os impactos foram sentidos principalmente entre Maragogi (AL) e Natal (RN), com espécies como o coral-de-fogo (Millepora alcicornis) e o coral-vela (Mussismilia harttii) severamente prejudicadas.

Em Porto de Galinhas, um dos destinos turísticos mais famosos do país, o cenário não foi diferente. “A colônia de corais teve perdas maiores que 95%. Tudo que sobreviveu foram pequenos fragmentos de um ou dois centímetros”, relata Rudã Fernandes, engenheiro de pesca e gestor da Biofábrica de Corais.

Recuperação dos recifes: ciência, manejo e ecoturismo

A Biofábrica atua em duas frentes principais: uma base in situ, instalada no próprio recife, aberta à visitação pública, e outra em laboratório, localizada no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene/ICMBio), em Tamandaré.

Corais são cultivados em tanques até atingirem tamanho adequado para reintrodução no mar. Durante a onda de calor marinha, os corais mantidos no recife sofreram, mas os cultivados em laboratório puderam ser salvos ao serem removidos a tempo.

“Nossas colônias mais velhas conseguiram passar pelo branqueamento. Conseguimos preservar cerca de 20% delas, que agora estão sendo usadas para repovoar os recifes”, explica Fernandes.

Reconhecimento da Unesco fortalece rede global de conservação

O reconhecimento da Unesco integra a Biofábrica à lista de projetos estratégicos da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021–2030), estimulando parcerias e intercâmbios com outros centros de conservação ao redor do mundo.

“Esse endosso representa um respaldo ao que fazemos e nos conecta a pesquisadores e agentes globais importantes nas questões oceânicas”, destaca Fernandes.

Perspectivas para o futuro

Com foco na restauração de recifes e educação ambiental, a Biofábrica planeja expandir suas ações e fortalecer sua base científica. Em um cenário de mudanças climáticas cada vez mais aceleradas, o projeto pernambucano se consolida como um dos principais modelos brasileiros de inovação em conservação marinha, unindo ciência, turismo e engajamento comunitário.

Fonte: Agência Brasil

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