Bombeiros do Condado de Los Angeles tentam apagar um incêndio em um Bank of America enquanto o incêndio Eaton, que destruiu muitas casas e empresas, avança por Altadena, Califórnia, em 8 de janeiro de 2025. Justin Sullivan / Getty Images
Bombeiros do Condado de Los Angeles tentam apagar um incêndio em um Bank of America enquanto o incêndio Eaton, que destruiu muitas casas e empresas, avança por Altadena, Califórnia, em 8 de janeiro de 2025. Justin Sullivan / Getty Images

EUA deixarão de acompanhar custos de desastres climáticos após cortes na NOAA

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A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), referência em dados sobre eventos climáticos extremos, anunciou que deixará de atualizar seu tradicional banco de dados que monitora os custos econômicos de desastres causados pela crise climática. A decisão veio em meio a cortes orçamentários e reestruturações durante a gestão do ex-presidente Donald Trump, que continua impactando a estrutura da agência.

Fim de um recurso essencial para medir os impactos da crise climática

O banco de dados em questão, gerenciado pelos Centros Nacionais de Informações Ambientais (NCEI) da NOAA, registra há 45 anos os custos de desastres naturais como incêndios florestais, furacões, inundações e ondas de calor. A partir de agora, os dados serão arquivados e não receberão mais atualizações públicas.

De acordo com a NOAA, a suspensão está ligada a “mudanças de prioridades, mandatos estatutários e alterações no quadro de pessoal”. No entanto, cientistas do próprio NCEI indicam que de seis a oito eventos climáticos extremos já aconteceram somente em 2025, embora o site da agência afirme não haver nenhum até 8 de abril.

Entre os eventos ignorados na base oficial, está o incêndio florestal devastador em Los Angeles, que gerou perdas de US$ 150 bilhões e se tornou o desastre natural mais caro da história americana.

Especialistas criticam decisão e apontam riscos à ciência climática

A medida causou forte reação na comunidade científica e política. O deputado Eric Sorensen, ex-meteorologista, declarou:

“Este governo parece acreditar que, se parar de observar as mudanças climáticas, elas simplesmente desaparecerão.”

Jeremy Porter, da empresa First Street, que modela riscos climáticos, afirmou à CNN que a ausência da base da NOAA tornará quase impossível replicar análises confiáveis de tendências e danos climáticos, especialmente em nível regional ou por tipo de risco.

Porter ressaltou que o diferencial da base da NOAA é seu acesso a fontes públicas e privadas de dados sobre perdas, como relatórios de resseguradoras e bancos de dados de sinistros — informações que a maioria dos pesquisadores não consegue obter por meios próprios.

Perda de um padrão ouro

A base era considerada o “padrão ouro” no rastreamento dos custos das condições climáticas extremas. “É a principal fonte que usamos para mostrar o impacto financeiro da crise climática na sociedade”, destacou Jeff Masters, meteorologista da Yale Climate Connections.

Outras fontes como bancos de dados internacionais ou corretoras privadas de seguros podem suprir parte da lacuna, mas não terão o mesmo escopo, confiabilidade ou acesso a dados confidenciais.

Contexto político e climático preocupante

Desde a década de 1980, os eventos climáticos extremos nos EUA aumentaram em intensidade, frequência e custos, com 2023 registrando 28 desastres bilionários, principalmente relacionados a tempestades severas.

A decisão da NOAA ocorre em um momento em que os impactos das mudanças climáticas são cada vez mais evidentes. Os incêndios florestais no sul da Califórnia, a temporada de furacões mais agressiva dos últimos anos e recordes de temperatura em diversas regiões dos EUA são atribuídos por cientistas diretamente ao aquecimento global.

“Parar de monitorar não muda a realidade de que esses desastres estão se intensificando a cada ano”, afirmou Kristina Dahl, da organização Climate Central. “É fundamental tornar visíveis esses eventos, porque é assim que o público percebe que a crise climática é real e está afetando vidas.”

Implicações para a segurança nacional

A eliminação do banco de dados pode comprometer políticas públicas e respostas emergenciais, dificultando o planejamento urbano, o financiamento de seguros e a capacidade de resposta a desastres climáticos.

“Todas essas mudanças tornam os americanos menos seguros diante das mudanças climáticas”, conclui Dahl.

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