Um período de seca prolongado criou condições perfeitas para incêndios florestais
Um período de seca prolongado criou condições perfeitas para incêndios florestais

Incêndios florestais no Reino Unido em 2025 já superam recorde anual de área queimada

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O ano de 2025 já entrou para a história ambiental do Reino Unido, com a área devastada por incêndios florestais ultrapassando todos os registros anteriores desde 2012. De acordo com dados do Sistema Global de Informações sobre Incêndios Florestais, mais de 29.200 hectares foram queimados até abril — superando o recorde anterior de 28.100 hectares registrado em 2019.

Clima seco e vegetação seca: combinação perfeita para o fogo

Especialistas apontam que o clima excepcionalmente seco e ensolarado de março e início de abril criou condições ideais para a propagação das chamas. Segundo Will Lang, do Met Office, o inverno chuvoso contribuiu para o crescimento excessivo da vegetação, que, ao secar rapidamente na primavera, serviu como combustível para as queimadas.

Guillermo Rein, professor de ciência do fogo no Imperial College London, explica que a vegetação dormente após o inverno torna-se altamente inflamável antes de retomar seu ciclo de crescimento, tornando o início da primavera um período crítico para incêndios.

Semana recorde: mais de 18 mil hectares queimados em abril

Entre os dias 2 e 8 de abril, o Reino Unido registrou a maior área queimada em uma única semana: 18.000 hectares. Mais de 80 grandes incêndios — acima de 30 hectares cada — foram detectados desde o início do ano.

As regiões mais afetadas incluem:

  • Parque Florestal de Galloway (Escócia): 65 km² queimados
  • Centro do País de Gales: 50 km² devastados
  • Incêndios também foram registrados na Ilha de Arran, Ilha de Bute, Ilha de Skye e nas Montanhas Mourne, na Irlanda do Norte.

Impactos ambientais e pressão sobre os bombeiros

Embora nem todos os incêndios sejam catastróficos — algumas espécies, como a urze, são adaptadas ao fogo — o aumento da frequência e intensidade pode comprometer a recuperação natural da vegetação e ameaçar ecossistemas frágeis.

Os serviços de emergência enfrentaram grande pressão para conter as chamas, especialmente em áreas de charnecas, gramíneas e arbustos.

O que esperar para o verão de 2025?

Pesquisadores alertam que o maior risco pode estar por vir. O verão, com temperaturas elevadas e vegetação ressecada, costuma trazer incêndios menos numerosos, porém mais intensos e difíceis de controlar.

“Minha maior preocupação é o que pode acontecer no verão. Um único incêndio de grande proporção pode ser incontrolável por dias e ameaçar áreas urbanas”, destacou o professor Guillermo Rein.

Mudanças climáticas e o futuro dos incêndios no Reino Unido

Estudos do Met Office confirmam que eventos extremos de “clima de incêndio” estão se tornando mais prováveis devido às mudanças climáticas provocadas pela ação humana. O cenário futuro aponta para um aumento na frequência de incêndios florestais severos, exigindo estratégias robustas de prevenção e resposta.

Rory Hadden, da Universidade de Edimburgo, reforça:

“É praticamente consenso que veremos mais incêndios e possivelmente mais devastadores. Precisamos nos preparar para essa nova realidade.”

Mudanças no uso da terra também aumentam o risco

Além do clima, o uso inadequado da terra — como o abandono de áreas rurais e práticas agrícolas — também contribui para o acúmulo de material inflamável, elevando o risco de grandes queimadas.

Prevenção e adaptação são urgentes

O recorde de 2025 serve como um alerta sobre os efeitos combinados do clima extremo, da gestão inadequada do território e das mudanças climáticas. É essencial que políticas públicas, campanhas de conscientização e investimentos em infraestrutura de combate a incêndios sejam intensificados.

Fonte: BBC News

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