Um aguapé em um lago na Indonésia. Hafizh Qurrota Ayun / iStock / Getty Images Plus
Um aguapé em um lago na Indonésia. Hafizh Qurrota Ayun / iStock / Getty Images Plus

Jacinto-de-água mostra alto potencial para remover microplásticos da água, apesar de ser espécie invasora

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Planta aquática invasora demonstrou eficácia ao remover até 78% das partículas microscópicas em poucos dias

Um novo estudo publicado na revista Environmental Science and Ecotechnology apontou que o jacinto-de-água (Eichhornia crassipes) — conhecido por seu crescimento agressivo e status de espécie invasora — possui grande potencial como aliado na remoção de microplásticos de ambientes aquáticos.

A pesquisa foi realizada na China, onde cientistas coletaram exemplares da planta em um rio de Xangai e os cultivaram em estufa controlada, com luz, temperatura e nutrientes regulados. O experimento consistiu em submeter as plantas a soluções com partículas de poliestireno (PS) — um tipo comum de microplástico — durante 14 dias.

Resultados expressivos: raízes removeram até 78% dos microplásticos

Os dados são promissores: em apenas 48 horas, as raízes do jacinto-de-água removeram mais da metade dos microplásticos da água. Em cinco dias, a eficiência aumentou:

  • 62,8% das partículas de 0,5 micrômetro removidas
  • 78,3% das partículas de 1 micrômetro
  • 76,8% das partículas de 2 micrômetros

Os pesquisadores observaram que as folhas não foram contaminadas, e os microplásticos permaneceram nas raízes e caules. Isso indica que, além de eficaz, o processo é seguro para o reaproveitamento da planta, inclusive para fins como produção de biogás, ração animal ou compostagem.

Espécie problemática com um potencial inesperado

Apesar dos benefícios observados, o jacinto-de-água é classificado como uma das piores plantas invasoras do mundo pelo Banco de Dados Global de Espécies Invasoras. Seu crescimento descontrolado bloqueia a luz e reduz o oxigênio nos corpos d’água, prejudicando peixes e plantas nativas, e contribuindo para o declínio da biodiversidade.

Contudo, estudos anteriores já sugeriam que essa planta pode funcionar como bioindicadora de poluição e agente natural para remediação de metais pesados e nutrientes em excesso, como nitrogênio e fósforo.

“Ecossistemas aquáticos frequentemente enfrentam múltiplas formas de poluição. O jacinto-de-água demonstrou resistência notável e alta capacidade de absorção, o que o torna útil em ambientes com poluição complexa”, afirmam os autores do estudo.

Reaproveitamento e soluções sustentáveis

Como relatado pela Mongabay News, as folhas limpas da planta podem ser reaproveitadas em diferentes cadeias produtivas, evitando descarte e gerando valor sustentável. A Greeneration Foundation, por exemplo, destaca o potencial da planta para compostagem e adubação, graças à sua capacidade de absorver nutrientes do escoamento agrícola.

Esse reaproveitamento pode ser um fator determinante para o controle populacional da espécie invasora, dando à planta uma função ecológica ao invés de apenas representá-la como uma ameaça.

Jacintos-d’água em um lago em Hong Kong. LeeYiuTung / iStock / Getty Images Plus

Um caminho promissor para o combate à poluição hídrica

O uso do jacinto-de-água como filtro natural de microplásticos representa uma alternativa inovadora para lidar com um dos problemas mais silenciosos da atualidade: a poluição invisível por plásticos microscópicos em rios e lagos.

Com os microplásticos presentes em cadeias alimentares, organismos marinhos e até na água potável, encontrar métodos acessíveis e eficazes para reduzir sua presença é essencial. O estudo traz novas perspectivas sobre o uso de espécies vegetais — mesmo as invasoras — como ferramentas de remediação ecológica.

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